segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Jornada nas estrelas - dívida de honra


Dizem que uma vez um jornalista brasileiro entrevistou Grant Morrison e perguntou-lhe qual sua opinião sobre o fato de que, no Brasil, os textos de Chris Claremont nos X-men serem cortados. Morrison teria respondido: "Sério? Deve melhorar muito!".
A anedota, verdadeira ou não, mostra bem os problemas do álbum Jornada nas estrelas - dívida de honra, de Chris Claremont e Adan Hugges (ed. Brainstore).
Há texto demais. E pior, texto inútil. Em uma das sequências, McCoy faz um monólogo analisando o Cap. Kirk. Trecho: "A perda de uma nave é por si um peso enorme para qualquer capitão, mas Kirk precisou destruí-la. Após roubá-la. O peso emocional, admitindo ele ou não, tem que ser muito maior".
Ou seja: a história fica estagnada para que um personagem possa analisar o outro. Aliás, esse texto parece muito com a sinopse dos personagens que a maioria dos roteiristas costuma fazer antes de começar a escrever a história. Isso deve aparecer na história nas atitudes do personagem. Colocar um outro personagem para analisá-lo parece uma trapaça, ou medo do roteirista de não ser compreendido. Além disso, o uso repetitivo desse truque transforma a HQ em uma novela, tirando todo o foco da ação.
Não é necessário sacrificar a ação para inserir profundidade psicológica na trama. O Esquadrão Atari (de Gerry Conway e Garcia Lopez) é um bom exemplo disso. A ação praticamente não para, mas os personagens são muito bem caracterizados e suas motivações são muito claras.
Lendo histórias como essa, eu começo a acreditar em algo que desconfiava há tempos: nos X-men o noveleiro Claremont foi salvo pelo John Byrne, que evitou seus excessos e introduziu mais ação na trama. Aliás, Byrne faz até algumas HQs legais, como Gerações, mas com foco exclusivamente na ação. Quando o homem de ação Byrne se juntou ao noveleiro Claremont tivemos uma das melhores HQs de todos os tempos. Separados, os dois não funcionam tão bem. Mas Claremont é o que mais perde.

4 comentários:

Blog do Land.Nick disse...

Alo Gian! Não estás redicalizando demais??? Há roteiristas e roteiristas! Cada um com seu estilo!!
Se todos eles seguirem um "regulamento" vai ficar tudo pasteurizado demais!!! Que sobrevivam os bons!! Lembrando sempre que História em quadrinho não é filme de ação!! Há espaço para um pouco de divagação!! heheheh
Grande abraço!

Esdra disse...

Oi Ivan/Gian...tudo bem?
Bom meu nome é Esdra Davi, sou formado em Letras pela UFMG e atualmente trabalho na Editora UFMG, escrevo contos curtos desde pequeno e sempre gostei de quadrinhos. Penso agora eu começar a escrever roteiros e seu material tem enriquecido demais, a minha prática e pensamento.Desde já agradeço pelo seu esforço em trazer sua experência e reparti-la conosco.Se um dia eu tiver algo que considere tolerável eu te envio.ok?
Abs.

Obs:Você pretende vir para o FIQ?

Ataide disse...

Concordo que cada um tem seu estilo, Mas é preciso muito cuidado com divagações. Isso pode cansar o leitor. É necessário medir sempre a necessidade de um texto mais longo, de um desvio na sequência da ação.
E o Gian criticou o excesso, o texto desnecessário que ele identificou na HQ,
Há quem defenda que uma HQ deve ter 30% de texto e 70% de desenho. Mas acho que o importante é a HQ ter conteúdo, personagens consistentes e o texto envolver o leitor. Se prender e manter a atenção, ninguém vai perceber que tem texto demais.

Anônimo disse...

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