quinta-feira, 28 de abril de 2016

Grafipar, a editora que saiu do eixo


Texto como camada de significado

O texto deve dar uma camada a mais de significado à HQ, indo além daquilo que o desenho mostra.

Um bom exemplo disso é o Surfista Prateado. Ele foi colocado por Jack Kirby na história em que o Quarteto enfrenta Galactus. Para Kirby, Galactus era tão poderoso que deveria ter um arauto, o que não estava na sinopse entregue para por Stan Lee. Para Kirby, o Surfista era um personagem que tinha função apenas decorativa. Mas quando Stan Lee viu o desenho achou que ele se parecia com um filósofo, um profeta, de alma nobre e bons propósitos, que era obrigado a servir Galactus. Stan Lee acrescentou ao desenho de Kirby uma camada a mais de significado que transformou um mero coadjuvante num dos personagens mais interessantes e cults da Marvel.

O mesmo aconteceu com a história A insólita Família Titã escrita por mim e desenhada por Joe Bennett e publicada em diversas revistas eróticas na década de 1990 e finalmente reunida em álbum pela Opera Graphica em 2014.

A história surgiu de um convite do editor Franco de Rosa, que precisava urgente de uma história em quadrinhos de 30 páginas. Nós tínhamos duas semanas para produzir tudo: roteiro, desenho, arte-final, balonamento. Dessa forma, assim que soubemos do pedido, começamos a discutir a trama. A pressa era tanta que nós íamos conversando e o Bené já ia fazendo um esboço das páginas. Ao final, peguei aquele calhamaço e fui colocando texto. Esse processo todo durou menos de uma manhã, pois início da tarde já era necessário dar início à produção do desenho.

A pressa fez com que nós não tivéssemos tempo de discutir sobre a história. O resultado disso foi que eu jurava que o personagem Tribuno era o herói da história. Afinal, ele era o único dos três heróis que queria usar seus poderes para o bem da humanidade. Já para o Bené, ele era o vilão, pois só um vilão  entraria numa jornada de vingança como fez o Tribuno.
Ou seja: o herói estava ali, cometendo as maiores atrocidades, mas eu estava lhe dando motivações, comprando o leitor com meu texto.
A história acabou ficando com uma dualidade ímpar: para alguns leitores, o Tribuno era um tremendo vilão, para outros, era um herói. A mistura de desenho e texto permitiu essa dupla leitura.

O texto e os diálogos, portanto, devem ir muito além da simples narrativa. Devem dar humanidade aos personagens, devem mostrar suas motivações e, principalmente, devem fazer o leitor se sentir dentro da HQ. Os quadrinhos são bidimensionais, mas o leitor deve se sentir dentro de uma história com todas as dimensões possíveis. Deve sentir os cheiros, deve ouvir os sons. Uma boa história é como uma realidade virtual, que transporta os leitores para um mundo em que tudo é possível. 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

o que é um Bife no roteiro?


Um roteiro, seja de quadrinhos ou de cinema, não é literatura. Ao contrário de um livro, ele deve ser feito para ser visto.

Quadrinhos e cinema são mídias visuais. O que pode ser mostrado com imagens, deve ser apenas imagem.

Se um personagem é um adolescente que gosta de rock, mostrá-lo num quarto com posteres de banda de rock ou com camisa de uma banda cantando uma canção de sua banda predileta é suficiente para repassar a mensagem. Não há necessidade de um narrador ou um personagem dizendo: "Fulano gosta de rock".

Algumas das melhores sequências do cinema são mudas, como a abertura do primeiro De volta para o futuro, com a sequência no laboratório que nos conta tudo que precisamos saber sobre o Dr. Brown, inclusive que ele roubou o urânio do qual se fala na TV.

Outra abertura genial é a de Dois filhos de Francisco. Toda a sequência inicial, do pai pelejando para conseguir pegar rádio na roça mostra sua paixão por música que será o fio condutor de toda a trama.

Assim, as ações é que contam a história e nos dão a motivação dos personagens. Em Contato, a sequência da morte do pai será fundamental para que a cientista Ellen busque comunicação com outros mundos e, quando os ETs aparecem para ela, sacamos que no fundo sua busca por contato era também uma forma de resgatar o pai (o alienígena aparece com o rosto do pai da cientista).

Maus roteiristas desconhecem isso e tendem a explicar tudo com diálogos ou narração em off. Um roteirista iniciante colocaria, na cena do encontro de Contato, uma narração em off, nos dizendo algo como: "Naquele momento Elleanor percebeu que sua busca por contato era, na verdade, uma forma de voltar a encontrar o pai".

Isso de explicar a história com diálogos é algo tão irritante que ganhou até um nome próprio, uma gíria: bife (alguns também usam muleta).


Maus roteiristas usam e abusam do bife, explicando o tempo todo os fatos ao expectador. Exemplo disso é a novelista Glória Pérez, famosa por adorar um bife. Na novela Caminho da Índia, por exemplo, toda vez que tínhamos uma cena com a psicopata Yvone, na sequência aparecia uma psicóloga explicando as ações da psicopata.


Talvez o exemplo mais famoso de bife, ou muleta, tenha sido uma das cenas finais de Psicose, em que um psicólogo explica o comportamento de Norman Bates. A cena é tão didática que parece uma concessão do diretor, Alfred Hitchcock, para os produtores, no sentido de tornar o filme mais compreensível para a grande massa. Felizmente a cena seguinte, de Norman sentado na cadeira, olhando para o expectador e sua mãe falando por ele salvam o final. Aliás, bastava essa cena final e o expectador entenderia tudo - sem a necessidade do bife psicológico.

PS: Para terminar, uma página de Companheiros do Crepúsculo, de Bourgeon, que exemplifica a força narrativa das imagens.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Letimotiv: o motivo condutor

A cidade de Cartão Postal em Refrão de Bolero muda de significado no final da história. 
A palavra Leitmotiv foi usada inicialmente para analisar a obra de Wagner e pode ser traduzida como "Motivo condutor". 
Em roteiro tem se usado para uma ação ou objeto recorrente que expressa os sentimentos ou estado do personagem, ou até mesmo uma mudança nesse estado.
No filme de Billy Wilder Pacto de sangue, o chefe do protagonista nunca consegue acender o cigarro (e quem acende para ele é o protagonista). No final, quando o protagonista está caído no chão, é o chefe que acende o cigarro para ele. O cigarro aí era a representação primeiro de como o personagem estava conseguindo enganar o chefe, e depois de sua derrota, de sua incapacidade de continuar com a farsa e sua derrota intelectual.
Em Pacto de sangue, o cigarro representa empodeiramento.
Em Refrão de bolero, a expressão "Cidade de Cartão Postal" é usada pela protagonista para se referir a Belém, quando ela está ali como turista. Depois, quando ela foi assaltada e se vê sozinha, sem dinheiro ou documentos numa cidade desconhecida, ela diz: "tudo que tenho é um corte na mão... e uma cidade de cartão postal". A expressão é um Leitmotiv que representa, primeiro, sua impressão de turista sobre a cidade e, depois, sua nova visão sobre ela, o que irá, de certa forma, desencadear o segundo ato.
No filme aconteceu naquela noite, de Frank Capra acompanhamos uma moça rica que está fugindo do pai, indo para Nova York incógnita para impedir que seu pai anule seu casamento com um aviador. No meio do caminho ela conhece um jornalista, que se oferece para ajudá-la em troca de exclusividade sobre a história (o desaparecimento da moça virou notícia nos jornais). Quando o ônibus para, os dois, sem dinheiro, alugam um único chalé e o jornalista estende um cobertor no meio do quarto para separá-los e diz que é a muralha de Jericó. Foi uma forma esperta de Capra burlar a censura da época (afinal, um casal não casado dormindo juntos no mesmo quarto não era bem visto pela sociedade americana), mas acabou se tornando um Leitmotiv que expressava exatamente a tensão entre os dois, inclusive a tensão sexual. No final, do filme, a queda a muralha de Jericó simboliza o fim da tensão e a união sexual dos dois.
A "muralha de Jericó" simbolizava a tensão entre os personagens.
De uma forma menos sutil e mais geral, podemos usar a expressão Leitmotiv para nos referir a uma ação do personagem que revela suas verdadeiras intenções. No meu romance O uivo da górgona, em determinado ponto uma personagem que o leitor imagina simpática e que em outras ocasiões havia acariciado o cachorrinho da históira se abaixa para acariciar o cachorro... e em seguida lhe quebra o pescoço. Esse ato, descrito de maneira seca e sem sentimentos desvela ao leitor a verdadeira natureza da personagem.

sábado, 26 de setembro de 2015

E-book uivo da górgona

O uivo da górgona é uma história de zumbis diferente, em que um som estridente destrói o neocórtex e o complexo límbico das pessoas, transformando-as em seres irracionais, governados pelo complexo R. Além de uma história de horror é uma crítica ao processo, cada vez mais atual de massificação da humanidade. 
O livro está no site de financiamento coletivo Catarse (para quem não conhece, funciona como uma espécie de pré-venda, na qual a pessoa apoia e recebe diversas recompensas). Para acessar o projeto, clique aqui.
Clique aqui para baixar o e-book promocional e conhecer a história. 

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Gian Danton busca financiamento para livro de terror no Catarse


Um som aterrador soa pela cidade. Quem o ouve tem seu cérebro modificado e se transforma num zumbi, governado pelos instintos mais básicos e violentos do ser humano. Essa é a premissa de O uivo da górgona, livro de terror de autoria do roteirista de quadrinhos Gian Danton que está no site de financiamento coletivo Catarse.
Gian Danton é roteirista de quadrinhos desde 1989. No começo da década de 1990 ficou famosa sua parceria com o desenhista Joe Bennett, em especial nas histórias de terror lançadas em revistas como Calafrio e A hora do crepúsculo. No ano 2000 escreveu a graphic novel Manticore, que transformava o fenômeno chupa-cabra numa trama de horror e ficção-científica e faturou diversos prêmios. Nos últimos anos, além de quadrinhos, tem se dedicado à literatura, participando de diversas antologias de fantasia e terror. Seu primeiro romance, Galeão, é uma história de fantasia sobre um navio à deriva no Atlântico.
O uivo da górgona, embora seja literatura, tem um estilo que ecoa as tiras de quadrinhos com capítulos curtos que terminam em uma situação de suspense que é desenvolvida no capítulo seguinte: “O uivo é resultado de um apanhado de referências, desde meu interesse pelo cérebro humano e os comportamentos coletivos até narrativas como O Eternauta, do roteirista argentino Oeterheld, em que o suspense é usado como elemento fantástico”, explica Gian Danton.
Na história, pessoas que ouvem determinado som têm as células do neocórtex destruídas e passam a ser governadas pelo complexo reptiliano, num comportamento violento e puramente instintivo.
Outra atração do projeto são as ilustrações do desenhista paranaense João Ovitzke, pouco conhecido no meio editorial, mas dono de um traço que combinou perfeitamente com a história de terror. Outro desenhista que estará no projeto será Antonio Eder, antigo parceiro de Gian Danton em várias histórias em quadrinhos.
O livro terá entre 250 e 300 páginas (se uma das metas estendidas for alcançada, o volume contará também com um conto dentro do universo da história) e pede 4 mil reais. Entre as recompensas há outros livros e quadrinhos de Gian Danton. Para apoiar basta acessar o endereço do Catarse (https://www.catarse.me/pt/gorgona) e escolher a recompensa.
SERVIÇO
Livro O uivo da górgona
Endereço no Catarse: https://www.catarse.me/pt/gorgona

Contribuição mínima: 10 reais
E-book promocional http://ivancarlo.blogspot.com.br/2015/09/e-book-o-uivo-da-gorgona.html

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Os anos de inventividade do terror nacional

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Idealizado pelo coordenador da Gibicon e sócio da ZnorT! Fabrizio Andriani, o projeto de financiamento coletivo ‘Margem Negra’ capta pelo site Catarse o valor de R$ 21 mil para produzir um álbum histórico que reúne as histórias produzidas pela dupla Gian/Bené nos anos de 1980/90. Com o passar do tempo, o material se tornou um clássico do quadrinho nacional de terror.
À época, tanto Gian Danton (roteiro) quanto Bené Nascimento (desenhos) estavam em início de carreira, na longínqua região Norte do Brasil. Mais tarde, Gian se tornaria um dos mais premiados roteiristas de gibis, com livros sobre a técnica e pesquisas acadêmicas; e Bené passaria a se chamarJoe Bennett, um prestigiado artista da Marvel e da DC Comics, com trabalhos ligados a Alan Moore.
Os gibis produzidos no início da carreira de ambos se fixariam na memória do quadrinho nacional, despertando o interesse de antigas e novas gerações de leitores. Mas as histórias ficariam décadas longe do mercado editorial, permanecendo praticamente perdidas em acervos pessoais e de instituições como a Gibiteca de Curitiba. Graças ao projeto, todo esse material pode vir à luz e retornar, pela primeira vez, em um livro que se chamará ‘Margem Negra’. Leia mais 

Resenha: como escrever quadrinhos

CB - Gian

Como escrever quadrinhos de Gian Danton é um livro que se propõe a abrir a oficina de um escritor e pesquisador de quadrinhos de maneira sistemática e didática. Gian Danton (pseudônimo de Ivan Carlo) além de professor da Universidade Federal do Amapá, possuí uma larga experiência como roteirista de HQs: desde os anos 1990 sua produção incluí obras premiadas como Manticore,e parcerias com desenhistas da envergadura de Joe Bennett e Eugênio Colonnese. Como escrever quadrinhos acaba por ganhar um raro equilíbrio entre a prática do roteirista e a reflexão do acadêmico, algo raro de se ver mesmo em obras consagradas como o Guia oficial DC Comics:desenhos e roteiros de Klaus Janson e Dennis O´neil ou Como desenhar histórias em quadrinhos no estilo Marvel de Stan Lee e John Buscema.

Em seu texto, Gian disseca a arte de criar roteiros para quadrinhos. A precisão conceitual do autor é ampliada pela notável capacidade em ilustrar os termos apresentados com exemplos advindos da sua prática criativa. O que se estabelece é um diálogo vívido entre Gian e o leitor durante toda a leitura. Leia mais

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

O clube dos cinco - uma aula de roteiro

Um dos critérios que uso para distinguir se um filme é bom ou não é assisti-lo uma segunda vez. Já ocorreu de filmes em que gostei da primeira e simplesmente não consegui assistir pela segunda vez. E outros que melhoram a cada vez que assisto. Exemplo disso é o Clube dos cinco (filme de 1985, de John Hughes que transformou o gênero teen num fenômeno global) que assisti recentemente no Netflix e assisti de novo quando passou no cinema. 
Ao contrário de muitas imitações que surgiram posteriormente (algumas das quais ainda estão por aí até hoje, a exemplo de Malhação), o filme de Hughes é uma obra-prima em que cada take tem algo de genial, a começar pela sequência inicial. A cena de abertura mostra os cinco estudantes chegando para o sábado em que ficarão de castigo na escola. Nessa única sequência entendemos quem são eles, a relação que ambos têm (ou não) com os pais etc. É um primor de primeiro ato, em que os personagens e a ambientação são apresentados de forma espontânea, simples, mas significativa.
Roteiros sobre pessoas confinadas são os mais difíceis, pois as opções de ação, conflito e desenvolvimento ficam extremamente limitadas. O diretor e roteirista John Hughes no entanto, produziu um roteiro perfeito, em que a cada passo se estabelece um conflito, seja entre eles, seja deles com os pais (que não estão ali, mas acabam tendo grande importância na trama - afinal é um filme sobre adolescentes), seja deles com o professor, seja deles com o grupo que frequentam e as pressões sofridas. E, no final, o conflito é resolvido de forma totalmente orgânica, natural, ao perceberem que, apesar de todas as diferenças, há muito mais em comum.
Se todos os méritos do filme já não valessem assistir, vai mais um: a longa cena da conversa entre os cinco e o depoimento do esportista, aquele que aparentemente é o mais raso de todos, mas acaba se revelando um dos mais sensíveis e a incrível direção com um travelling horizontal que aumenta em muito o impacto da cena.
Enfim, um filme para assistir, assistir de novo e de novo.

Inspeção - Gógol em quadrinhos

Inspeção surgiu de uma sugestão de Gian Danton para que fizessem uma adaptação da peça O inspetor Geral, do escritor russo Nicolai Gógol. A dupla já tinha adaptado outra obra de Gógol (o conto O nariz, que virou a HQ Phobus). Na peça, os políticos corruptos de uma cidadezinha descobrem que irão receber a visita de um inspetor e, quando chega um espertalhão, pensam que se trata dele e passam a fazer de tudo para agradá-lo. Na história da dupla Gian Danton e Joe Benett, são os internos de um hospício que chamam um demônio para libertá-los (e este aparece na forma de um inspetor). Mas, como se diz: cuidado com o que você pede. Sempre há consequências. 
Essas e outras histórias no álbum Margem Negra. 
Apoie esse projeto no Catarse: https://www.catarse.me/pt/margemnegra

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Dan Dare: processo de produção do roteiro

Dan Dare e seus amigos, na versão clássica.

Dan Dare é um dos mais clássicos personagens de quadrinhos da Inglaterra, e certamente um dos mais importantes no gênero ficção cientifica, rivalizando apenas com Jude Dreed. O personagem é da década de 1950 e chegou a ser lançado no Brasil pela Ebal na década de 1970, na revista 2000 AD. 

Dan Dare na versão da década de 1970.

Ano passado fui contatado por um agente local para escrever as aventuras do personagem para uma revista britânica, a Strip Magazine. O esquema era o comum das publicações em série britânicas: histórias em continuidade de seis páginas que formavam um ciclo depois lançado como álbum de luxo. 
Revista nos moldes da 2000 AD na qual seria publicada a nova versão do personagem.

Eu escreveria a segunda saga do personagem (a primeira seria escrita pelo editor). 
Propus um plot sobre um planeta com uma inteligência vegetal que foi aceito com sugestões do editor para adequar à trama ao plot maior.  
Fiz o plot estendido e o roteiro de duas partes da saga. Foi uma experiência interessante por trabalhar com o método inglês, com roteiros detalhados, que incluíam inclusive angulação e planos. Para facilitar para o tradutor, a partir do segundo capítulo, eu comecei a colocar os termos técnicos em inglês, garantindo que eles ficassem corretos na tradução. 
Esse material ficou inédito por mais de um ano até que esta semana tive a confirmação do agente de que a revista de fato não terá continuidade (mais um calote, agora de uma editora inglesa - espero até ano que vem levar calote da Marvel). 
Assim, publico aqui partes do material produzido, como forma inclusive de mostrar como é o processo de produção de roteiro de uma editora estrangeira. 

PLOT 


Dan Dare e sua equipe chegam a um planeta desconhecido. A Prof Peabody afirma que há uma forma de vida complexa, grande e possivelmente inteligente no planeta. Dan sai para investigar. Quando volta, a nave desapareceu. Na verdade, o planeta inteiro é um grande ser.Dan come uma fruta e entra em contato com o planeta. Descobre que o planeta está sob ameaça e por isso reagiu. O planeta devolve a nave e Dan promete ajudar.

 PLOT DECUPADO DO PRIMEIRO CAPÍTULO (com acréscimos do editor) 


DAN DARE: THE EDEN AFFAIR

Original story Gian Danton

Revised by J. Freeman

Last Revised: 10th April 2014

Chapter 1




Este capítulo terá menos ação já que ele irá introduzir os personagens. Dan Dare e seu time chegam na Valiant(Design por John Ridgway), uma grande nave de exploração, em um planeta desconhecido fora do nosso sistema solar.



(A história se passa durante uma missão maior para descobrir mais sobre a Guerra Galáctica e os aliens que enviaram os Therons e outros para o nosso sistema solar, ver a Bíblia de História)



Professora Peabody confirma que existe evidências de vida alienígena no planeta, mas os sinais que ela detectou não indicam quantos nem a quanto tem eles estão ali.



Aterrissando, o time descobre que o planeta é coberto por uma flora exuberante. Dan, Digby e alguns outros membros da tripulação fazem a descida ao planeta usando a Anastasia e outro veículo de aterrisagem afim de investigar melhor e encontrar os alienígenas e a vida inteligente. Dan e Co começam a exploração utilizando um veículo de exploração armado.



Enquanto isso, a professora fica no veículo de aterrisagem escaneando o planeta para encontrar qualquer forma de vida inteligente e os alienígenas. Sir Hubert fica com ela, junto com o resto da tripulação.



Dan Não encontra nenhuma forma de vida animal (mas eles encontram alguns insetos comendo partes de algumas plantas – Essas criaturas que estão ameaçando o planeta. Ver abaixo) e começam a duvidar se realmente poderia haver alguma forma de inteligência naquele planeta, muito menos algum alienígena que tivesse algo a ver com a Guerra Galáctica



Então, sobre uma colina, nós temos uma cena de “wow” – uma cena de devastação pura, uma área destruída e arrasada... no centro dela está uma nave de Alien misteriosa – na nave usada pelos alienígenas misteriosos que estão por trás da guerra galáctica de onde os Therons fugiram.



O time se aproxima cautelosamente, esperando por um ataque - seu medos não são em vão já que armas surgem por tras da bela camada bio-tecnológia da nave. As armas miram na equipe e abrem fogo.

O ROTEIRO DA PRIMEIRA PARTE 
(duas primeiras páginas da primeira história)

DAN DARE: THE EDEN AFFAIR

Roteirista: Gian Danton

Revised by J. Freeman

Primeiro tratamento



Capítulo 1

Página 1

Quadro 1 – Temos um quadro grande um plano geral da nave Valiant no espaço, acima do planeta que iremos chamar de Eden. Minha sugestão é que título e créditos entrem neste quadro.

Dan Dare (off): Você tem certeza, professora?

Quadro 2 – Agora temos uma cena interna da Valiant. Dan, Professora, Digby, Hubert e talvez algum outro personagem estão discutindo ao redo de uma mesa. A professora mexe em uma espécie de tablete avançado. (John, não sei se a Valiant terá sala de reuniões, como em Jornada nas Estrelas. Caso não tenha, essa cena pode se passar na ponte de comando).

Professora Peabody:  Sem dúvida, Dan. Há vida no planeta abaixo. E vida inteligente.

Hubert: São os inimigos?

Quadro 3 – Close da professora. Embora a Bíblia não a mostre de óculos, acredito que ela possa usar óculos para ler, como forma de reforçar seu aspecto intelectual. Então, como ela está mexendo no tablete, estaria usando os óculos (provavelmente um óculos tecnológico, na linha do Google Glass).

Professora: Difícil dizer, Dan. Alguns acreditam que os Treen inimigos não sobreviveram à fuga.

Digby: Mekon ainda deve estar vivo. Como diz minha tia Anastácia, vaso ruim nunca quebra...

Quadro 4 – Um plano geral. Dan está em pé, para mostrar sua determinação, e apoia as mãos na mesa.

Dan: Em todo caso, temos que investigar. Hubert, prepare a Anastácia e um grupo de descida.

Quadro 5 – Close de Dan.

Dan: Professora, a senhora vem conosco!



 Página 2

Quadro 1 – Agora temos a Anastácia. Dan, Digby Pierre August, Prof. Peabody e Spry fazem parte dessa equipe de reconhecimento. Pierre august pilota a nave. Neste quadro, vemos a cena de dentro. Prof. Peabody está sentada ao lado de Dan e conversa com ele. (John: achei que Dan não deixaria a nave Valiant sem um oficial, e acredito que Hubert seria a pessoa que ele mais confiaria, assim Hubert ficou na nave, ok?).

Professora: Tem certeza de que foi uma boa ideia trazer Spry conosco? Ele é apenas um cadete.

Quadro 2 – Close de Dan.

Dan: Ele é um garoto inteligente e nunca aprenderá se não entrar em ação. Tenho a intuição de que em algum momento ele pode ser importante para nossa missão.

Quadro 3 – Close da professora. 

Professora: Você segue sua intuição, eu sigo meus cálculos.

Quadro 4 – Close de Dan. (John: aqui estamos dando um gancho para a solução final, que acontecerá quando a professora Peabody seguir sua intuição)

Dan: No momento em que seguir sua intuição, talvez descubra que ela pode lhe dar respostas que a razão não dá.

Quadro 5 – Plano médio, mostrando Pierre em primeiro plano.

Pierre: Senhor, estamos nos aproximando do solo.

Quadro 6 – Dan e os outros colocando os cintos.

Dan: Preparar para aterrisagem. Coloquem os cintos.

Quadro 7 – A nave aterrissando. Não mostre muito do cenário para não perder o impacto da próxima página. 

 ROTEIRO DA PARTE 2 (Já com alguns termos técnicos em inglês)
DAN DARE: THE EDEN AFFAIR

Chapter 2

Writer: Gian Danton

Revised by

Version 001

EDIT –





Página 1

Quadro 1 – Temos aqui a continuação da sequência do capítulo 1, com Digby e Dan subindo o morro na direção da nave e sendo atacados. Como dito anteriormente, o desenho deve dar a entender que se trata de uma pessoa dentro da nave, mas se trata apenas do sistema de defesa, uma vez que os tripulantes foram mortos pelos insetos. Neste quadro, em Long Shot, vemos Dan e Digby em primeiro plano, em ângulo inferior, com a nave em destaque, grandiosa, atrás deles. Digby está à esquerda e o tiro acerta próximo a ele. Eles se abaixam para fugir do fogo cerrado. Quadro grande, ocupando mais de um terço da página.

DIGBY: OH, CÉUS, EU SABIA QUE HAVIA ALGO ERRADO.



Quadro 2 – Medium Close Up de Dan, preocupado. Dan olha para Digby, que aparece em segundo plano.  

DAN: NÃO PODEMOS FICAR AQUI. ESTAMOS VULNERÁVEIS DEMAIS.

DIGBY: VAMOS VOLTAR?



Quadro 3 – Plano médio - Medium Long Shot. Dan começa a se levantar. Digby, ao seu lado, parece ideciso. Os dois são vistos de frente.  

DAN: ME DÊ COBERTURA! 

DIGBY: COMO ASSIM?



Quadro 4 – Long shot. Vemos os personagens de costas. Dan se levantou e começou a correr na direção da nave, atirando. Digby está levemente de perfil e vemos sua expressão de assombro.

DIGBY: OH, NÃO!



Página 2

Quadro 1 – Plano geral. Dan está correndo na direção da nave, atirando, em primeiro plano. Em segundo plano, Digby atira também. Alguns tiros explodem ao redor dele, mas ele parece resoluto, como se nada pudesse acertá-lo. Seu passo é largo. Imagino essa como uma daquelas célebres cenas de ação de All Williamson.



Quadro 2 – Plano fechado de Dan atirando, como se estivesse atirando na direção do leitor.



Quadro 3 – Plano detalhe. Algo explodindo no local da nave de onde antes estavam vindo os tiros. 



Quadro 4 – Close de Digby, espantando.

Digby: Eu não acredito que ele fez isso!



Quadro 5 – Plano médio de Dan com as mãos acenando para Digby. Ele está bem perto da nave.

Dan: Venha! Parece que está tudo ok aqui.



Quadro 6 – Os dois se aproximando da porta de carga, próximos o bastante para identificar que não há ninguém ali. Eles se aproximam cautelosos, de arma em punho.

Dan: Cuidado. Ainda pode haver outros alienígenas aí dentro.



Quadro 7 – Dan e Digby entram pela porta. Eles apontam a arma para a arma que antes atirava neles (e que agora está toda chamuscada) e se assustam ao descobrir que não há ninguém ali.

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