quarta-feira, 25 de junho de 2014

O valor de cada quadro na página

Em uma página de quadrinhos, os quadros podem ter valor narrativo diferente. Alguns merecem maior destaque, seja pela sua importância para a história, seja pelo seu valor dramático ou de ação. Ou seja: alguns quadros são apenas narrativos, outros devem provocar um impacto no leitor. Os quadros de impacto são maiores exatamente por serem mais importantes. O roteirista deve indicar, no roteiro, quando há um quadro de impacto na página.
A minissérie Watchmen é um ótimo exemplo de como utilizar esse recurso, sendo uma verdadeira aula.
Abaixo uma página em que todos quadros têm a mesma importância:
Já na página seguinte, o último quadro tem maior valor dramático. Todos os outros são apenas uma preparação para o impacto deste último, pois o destino do mundo está nas mãos de um idiota:
Watchmen usa um esquema fixo de 9 quadros por página, como se fossem blocos que pudessem ser separados ou unidos.
Para formatinho, o esquema de 6 quadros funciona muito bem e pode ser usado da mesma maneira, inclusive com quadros de impacto. Ótimo exemplo disso são as páginas de Júlias, as aventuras de uma criminóloga.
Na página abaixo, de simples diálogo, não há necessidade de qualquer impacto, então os quadros são iguais: 
Já na página abaixo, o último quadro é maior, de impacto, para destacar a violência do personagem:
Abaixo um exemplo do Monstro do Pântano, de Alan Moore, com um esquema de quadros mais solto, mas que igualmente usa o tamanho do quadro para dar impacto à cena:

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Ricardo Manhães e Gian Danton participam de homenagem a Asterix

Versão em português da HQ que será publciada na Bélgica.
Os brasileiros Ricardo Manhães e Gian Danton estão participando de uma homenagem ao personagem Asterix, a convite do jornalista belga Lionel Flips, fundador do site Le Bourlingueur du net.
Asterix será o tema do 1º Concile à Bulles, um festival de quadrinhos que será realizado em Bruxelas, na Bélgica, nos dias 5 e 6 de abril deste  ano. O evento será realizado no MOOF –Museum of Original Figurines, que fica a poucos metros da praça central (Grand Place) da capital belga. Leia mais

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Turma da Tribo - resenha por Renato Medeiros

É um fato inegável que os quadrinhos brasileiros que possuam temáticas totalmente voltadas para a nossa cultura e "jeito" de ver o mundo é escassa, e quando existe pouco divulgada. Imagina saber que existe quadrinhos feitos aqui que são de ótima qualidade e muitas das vezes melhores do que os quadrinhos encontrados no mercado atual. Nesse sentido é com grata surpresa que li recentemente uma hq do grande Gian Dantons  (Pseudônimo de Ivan Carlos  Andrade de Oliveira) e do talentoso Ilustrador Ricardo Manhães chamada Turma da Tribo. Essa hq me fez sentir imensa satisfação com sua leitura, pois me fez lembrar com sua narrativa que mistura  humor e critica de forma inteligente que podemos produzir historias em quadrinhos sem necessariamente apelar para o senso comum. O impresso me surpreendeu em dois sentidos específicos, a saber Leia mais

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O chamado da Quimera - roteiro Leonardo Melo



Pág. 01:

Q01: Um homem franzino está atravessando a porta de sua casa. O vemos de perfil, no canto direito do quadro, expressão de cansado. Ele veste terno e gravata e segura uma pasta executiva e uma sacola com a mão esquerda enquanto abre a porta com a mão direita. Neste quadro ainda não temos muita noção de como é o interior da casa. Este é Rodney Nash, nosso protagonista. Seus cabelos são curtos e castanhos.

Q02: Quadro um pouco mais amplo. Vemos Nash de costas. Ao fundo, sua mulher está lhe esperando, sentada no sofá. É uma mulher gorda e feia, cabelos em formato “abajur” e despenteados, a pele bastante enrugada e uma baita verruga no nariz. Ela está sentada no sofá com cara de poucos amigos:

MULHER: Trouxe o que eu pedi?
NASH: Oi, amor. Olha, na verdade, não tinha peru...

Q03: Fileira intermediária. Vemos Nash de frente, tirando um frango de dentro da sacola, com um sorriso cínico e temeroso no rosto. A mulher dele não aparece no quadro, mas vemos seu balão mesmo assim:

NASH: ...mas eu trouxe frango, serve?
MULHER: Meu Deus do céu, homem! Quantas vezes preciso dizer? Quando peço uma coisa, eu quero essa coisa! Se peço peru, eu quero peru, não frango!
MULHER: Será que você não presta nem pra isso?

Q04: Nash está fechando a porta, cabisbaixo. O vemos meio de frente, meio de lado. Ele largara a sacola e o frango em outro sofá. Ao fundo, sua mulher está se levantando, irada:

NASH: Mas, amor... não é época de peru...
MULHER: E peru tem época, decerto, seu infeliz? Peru não dá em árvore! Incompetente!

Q05: Seqüência de três quadros na fileira inferior. Nash está passando pela sala, pela frente de sua mulher, cabisbaixo. Sua mulher é vista de frente, parada. Ainda segue tagarelando:

MULHER: Eu estou sozinha mesmo! Tenho que fazer tudo, pensar em tudo, tudo sozinha!

Q06: Nash está entrando no quarto. O vemos de frente, dobrando para a nossa esquerda. Sua mulher vem atrás dele no corredor, aos fundos:

MULHER: Há anos eu repito a mesma coisa! E adianta alguma coisa? Claro que não, né? O senhor fica aí, com essa cara de cachorro abandonado! E nem me dá ouvidos!!!

Q07: Vemos a mulher dele de costas, já dentro do quarto. É uma suíte e ao fundo, vemos a porta do banheiro se fechando.

MULHER: Ei! Não ouse se trancar no banheiro enquanto eu falo com você, seu imprestável!!!



Pág. 02:

Q01: Nash dentro do banheiro, de perfil na frente do espelho. Com uma mão está apoiado na pia, com outra está esfregando os olhos, ainda a mesma expressão cabisbaixa.

NASH: Deus... como foi que eu me meti nessa?

Q02: Mesmo tamanho do quadro anterior, mesmo ângulo. Mas o vemos meio de costas, agora, já que ele está indo até o box, nos fundos, enquanto desata o nó da gravata, puxando-a para o lado.

Q03: Quadro pequeno mostrando apenas ele abrindo a torneira do chuveiro.

Q04: Quadro do mesmo tamanho do Q01 e do Q02, talvez um pouco menor. Mostramos apenas ele na banheira, relaxando.

Q05: Quadro estreito na lateral da página. Nash está de pijama e pantufas na cozinha, cara de sono. Ele está com a palma da mão aberta e estendida, como se segurasse algo. Com a outra mão, segura um copo d´água.

Q06: Três quadros pequenos agora, um abaixo do outro, ao lado do quadro estreito. Close em sua mão, de cima. Ele segura dois comprimidos do tipo “aspirina”.

Q07: Close nele, de perfil. Está colocando os remédios na boca.

Q08: Close nele, de perfil. Está tomando o copo d´água.

Q09: Quadros pequenos na fileira inferior. Está saindo da cozinha, apagando a luz.

Q10: Está na porta do quarto, olhando para a cama. A luz está apagada, sua mulher está dormindo já, de costas para ele e para nós.

Q11: Está deitando na cama e erguendo as cobertas para cobrir-se.

MULHER: Abaixa logo essas cobertas que tá frio!!!

Q12: Close nele, deitando a cabeça no travesseiro e fechando os olhos.


Pág. 03:

Q01: Repetição do quadro anterior, mas o close é ainda mais fechado, de forma que vemos apenas seu rosto, não fazendo idéia do cenário. Sabemos apenas que é dia, porque o quadro está mais iluminado.

NASH: Hmm... hm? Hm… amor…?

Q02: Repetição do quadro anterior.

NASH: Amor, desligue a tevê, sim?
NASH: E... se puder fechar as janelas... está um vento tão frio...

Q03: Repetição do quadro anterior.

NASH: Nossa... essa cama está tão dura...

Q04: Fileira intermediária. Uma pequena onda de água é jogada no rosto de Nash.

Q05: Ainda o vemos em close, mas ele começa a se levantar. Está de olhos fechados, limpando o rosto.

NASH: Ai, também não precisava jogar um balde de água na minha cara... eu já ia...

Q06: Nash finalmente abre os olhos. Expressão de espanto.

NASH: ...levantar?
NASH: Oh... Meu...


Pág. 04:

Q01: Quadro amplo, ocupa quase a página inteira, abrindo um panorama geral: Nash está numa jangada de madeira, no meio do oceano, vestindo farrapos. Não há o mínimo sinal de terra próximo a ele. O vemos de cima, um tanto afastado, para dar idéia da imensidão do oceano.

NASH: ...Deus!!!

Abaixo, o título: “O Chamado da Quimera”

E os créditos: “Leonardo Melo – Roteiro | Ângelo Ron – Arte” |
 
Q02: Fileira inferior. Close em Nash, apavorado.

NASH: Que... que diabos... como... não pode...

Q03: Ele fecha os olhos e leva as mãos aos cabelos, tentando se acalmar.

NASH: Rodney, se acalme. Isso é um sonho. Só pode ser. Feche seus olhos, se concentre. E acorde. Vamos.
NASH: Acorde!

Q04: No canto direito, temos a visão em primeiro plano do barco de piratas, com um deles na beirada e apontado para Nash, ao fundo, no canto esquerdo, com cara de surpresa. O pirata grita enquanto aponta para ele e olha para o interior do navio, provavelmente para seu capitão, com um sorriso cruel.

PIRATA: Homem ao mar!!!

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Conheça o herói que ganha poderes fumando e outros personagens bizarros

São tantos os super-heróis criados no mundo dos quadrinhos que a quantidade de roteiros e explicações possíveis para como eles adquiriram seus poderes deve beirar milhões. Por esse mesmo motivo, alguns personagens mais excêntricos estão fadados a nascerem, como é o caso de um defensor da justiça da década de 1960 que obtinha suas habilidades ao acender um cigarro.
“8-Man” surgiu originalmente como uma tira de quadrinhos semanal no Japão, publicada entre 1960 e 1963, que posteriormente se tornou um desenho animado de trinta minutos, ficando no ar até 1964. A partir de 1965, o programa ganhou uma versão norte-americana com algumas mudanças para adaptação ao gosto do público local, passando a se chama “The Eight Man”.
O desenho contava a história do policial Peter Brady (detetive Yokoda na versão japonesa), que foi morto por bandidos e teve seu corpo transformado pelo cientista Professor Genius (chamado Tani no original). O herói foi a oitava tentativa do pesquisador de trazer alguém de volta à vida, sendo a primeira bem sucedida, e teve sua essência vital transferida para um androide superpoderoso.
Fonte da imagem: Reprodução/Arcade Gear

Tragada especial

Embora todos saibam que ser um fumante de peso certamente não é o ideal para quem quer correr, pular, voar, lutar contra o crime e realizar outros feitos maravilhosos, para 8-Man isso era a chave para os seus poderes. Assim como Popeye engolia latas inteira de espinafre, o androide recarregava sua “reserva de energia atômica” com uma substância feita em laboratório e enrolada em papéis. Bastavam algumas tragadas e ele estava pronto para a luta. Leia mais

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Turma da Tribo - resenha do site Chamando Superamigos


Ricardo Quartim


Imagine um álbum europeu nos moldes de Asterix, Tintim, Spirou ou outros do mesmo estilo. Agora transporte a história para o Brasil nos tempos atuais. Troque a aldeia gaulesa de Asterix por uma tribo indígena com personagens  tipicamente nacionais. Acrescente uma trama ecológica com cunho educativo porém sem ser chata e cansativa. 
Pronto! Está criada a Turma da Tribo.  
Com roteiros  de Gian Danton (pseudônimo de Ivan Carlo Andrade de Oliveira) e arte de Ricardo Manhães, Turma da Tribo é uma HQ selecionada no edital de literatura Simãzinho Sonhador, da Secult Amapá. Leia mais no site Chamando Superamigos.

Turma da tribo - resenha por Octávio Aragão

Muitas pessoas que receberam a Turma da Tribo têm elogiado o gibi, mas a primeira resenha veio do escritor e professor Octávio Aragão, um dos grandes nomes da ficção-científica nacional. 
Confira abaixo a resenha, publicada na página do Facebook do escritor: 

Recebida e degustada a bela homenagem que Gian Danton e Ricardo Manhaesfizeram às BD franco-belgas, Turma da Tribo. Apesar do formatinho (14,7 cm por 21 com) e da encadernação em canoa (dobrada e grampeada), as 28 páginas coloridas cumprem muito bem a função de apresentar a cultura indígena brasileira a um público infantil, com uma história rica em detalhes gráficos (é uma diversão detectar os desenhos polvilhados pelo ilustrador aqui e ali, tanto como composição de cenários, quanto em elementos sígnicos, como penas que funcionam como pontos de exclamação ou motivos indígenas que decoram o título). Apresentando personagens carismáticos e facilmente memorizáveis, Danton apresenta a mesma capacidade em criar situações cheias de ação e, ao mesmo tempo, didáticas, mas sem cansar o leitor, que demonstrou em na série de ficção científica Os Exploradores do Desconhecido, mas sem a seriedade. O humor em Turma da Tribo é efetivo e inteligente, explorando as possibilidades narrativas das HQ e o traço de Manhães, claramente depositário do estilo de Uderzo, Morris e Ibañez. O único senão talvez seja a trama resolvida de maneira muito rápida. Claramente a história merecia mais páginas, e por isso, fico na torcida para que vire uma série, pois tem tudo para agradar.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Exploradores do Desconhecido

Já tem capítulo novo no blog dos Exploradores do Desconhecido. Para conferir, clique aqui.
Para quem não conhece, Exploradores do Desconhecido é uma webcomics com roteiro meu e desenhos de Jean Okada considerada uma das mais importantes histórias em quadrinhos de ficção científica do Brasil.
Segundo o site Contraversão, "A webcomic tem aquele cheirinho de nostalgia das antigas tiras de “Flash Gordon e dos episódios de “Jornada nas Estrelas que todo  de sci-fi adora".

A Jornada do Herói: os 12 passos de Campbell



Olá, leitor assíduo desta coluna (já posso te chamar de assíduo? rs). Está pronto para conhecer um pouco mais sobre a escrita de ficção fantástica, onde, não raro, temos um protagonista que passa por diversos obstáculos?



Como prometido na semana passada, o assunto de hoje será:

– A Jornada do Herói: os 12 passos de Campbell.


          A Jornada do Herói". Você já conhecia essa expressão? É nada mais nada menos do que uma convenção, um paradigma literário identificado em diversas narrativas e que, diga-se de passagem, tem funcionado muito bem na ficção fantástica, pois auxilia muitos escritores na construção de uma trama emocionalmente, envolvente e verossímil.

          Joseph Campbell, em seu livro O Herói de Mil Faces (Cultrix/Pensamento), nos apresenta 12 Passos pelos quais a Jornada do Herói se sucede, além de se embasar na psicanálise para justificar a verossimilhança desse modelo. Ou seja, em que ele se assemelharia à nossa vida, a ponto de nos prender pela empatia. Vamos ver que passos são esses. Leia mais no site Fantástica

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails