terça-feira, 10 de novembro de 2009

Tributo a Cláudio Seto

Acontece, nos dias 13, 14 e 15 de Novembro de 2009, na Praça do Japão de Curitiba, o Tributo a Claudio Seto.
O Tributo é um evento que reunirá numa grande confraternização: amigos, fãs e admiradores do trabalho de Claudio Seto, além de apreciadores da cultura e das artes em geral, homenageando e celebrando a memória deste multi-artista, no mês em que se completa um ano de sua falecimento. Clique no convite para ver mais detalhes

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Stan Lee é o melhor da era de prata


Fechou a enquete sobre o melhor roteirista da era de prata. Stan Lee ganhou de lavada, com 83% dos votos. Robert Kanigher (Sg. Rock) e Jerry Siegel (Super-homem) só tiveram um voto cada. Era de se esperar, já que dos três, Stan Lee é de longe o mais famoso. Também é, sem dúvida, o roteirista que teve maior impacto sobre a indústria dos comics.
Um ponto que tem levado a muitos debates é se Stan Lee realmente pode ser considerado autor das histórias que assina. Jack Kirby dizia que era o verdadeiro autor.
Essa polêmica é provocada pelo método de trabalho de Lee: ele passava ao desenhista uma pequena sinopse da história, este a desenvolvia no desenho e entregava a Stan Lee para que colocasse o texto e os diálogos. Esse método é chamado de Marvel Way. Sobre o assunto, reproduzo aqui uma parte de um texto que escrevi na época em que fazia a especialização em artes visuais no SENAC. Surgiu uma discussão sobre se o roteirista poderia ser considerado autor e respondi assim:

"Nos quadrinhos, um roteirista, embora não saiba desenhar e, portanto, não seja capaz de produzir a obra no seu sentido estrito, artesanal, exerce a função do diretor no cinema. É ele que manipula os significados dos desenhos que serão produzidos pelo desenhista. Alan Moore, considerado o maior gênio dos comics, tem controle total sobre sua obra. Seus roteiros, extremamente detalhados, chegam a gastar mais de uma página para descrever um único quadro. Mesmo Stan Lee, cujos roteiros eram mínimos, muitas vezes um único parágrafo, manipulava o significado dos desenhos ao colocar neles textos e diálogos. Quando trabalhava com Jack Kirby, por exemplo, ele deslocava os conflitos cósmicos e as sagas grandiosas para o interior dos personagens. Asssim, o Surfista Prateado deixava de ser um ser apenas um extraterrestre poderoso para se tornar um angustiado messias das estrelas, disposto a sacrificar até mesmo sua liberdade em prol de uma humanidade que o rejeita".
Ou seja: Stan Lee é, no mínimo, co-autor das histórias que fez em parceria com os grandes desenhistas da Marvel. Na minha opinião, o principal autor.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Para onde mandar trabalhos

O Joe de Lima fez, em seu blog, uma relação de editoras para as quais um roteirista pode mandar trabalhos. Para ler, clique aqui.

Registro de roteiros

Toda semana alguém entra em contato perguntando como registrar roteiro de quadrinhos. Cansado de responder individualmente, resolvi fazer um post sobre o assunto.
O registro é feito na Biblioteca Nacional. Clique aqui para uma página da Biblioteca com perguntas e respostas sobre esse processo de registro.
O registro não assegura direito sobre a ideia, mas apenas a forma. Ou seja: o registro não garante que alguém não vá escrever algo semelhante, mas assegura contra plágios descarados, aquele indivíduo que pega seu texto e publica como sendo dele. O registro não é garantia contra textos requentados ou modificados.
O registro é pago e os originais devem ser enviados pelo correio, embora seja possível baixar a ficha de inscrição no site da Biblioteca Nacional.
O valor normal do registro é R$ 20,00. Mais o Sedex, deve ficar tudo numa média de 50 reais.
Aí também é preciso ponderar se vale a pena registrar. Tem gente que me procura perguntando como registrar um roteiro de duas páginas. Ora, as editoras que pagam melhor, pagam 15 reais a página de roteiro. Nesse caso, você vai gastar mais para registrar do que irá possivelmente receber pela obra. Isso se receber, claro. Eu já levei calotes Homéricos - uma editora portuguesa me encomedou cinco histórias de 12 páginas. No final, não pubicou nem pagou nada e ainda fizeram a proposta indecorosa de me ceder a horrível logo criada pelo artista deles para a minha personagem como forma de pagamento.
Também é importante lembrar que a maioria das editoras prefere não pagar os roteiristas, mas pegar projetos prontos e pagar direitos autorais após as vendas. Se vender bem, você pode ganhar alguma grana. Um amigo meu que publicou um álbum por uma editora grande só recebeu alguns exemplares como pagamento. A mesma coisa aconteceu com o meu álbum War, histórias de guerra. O pagamento foram alguns exemplares.

domingo, 18 de outubro de 2009

Além da imaginação

Um seriado que todo roteirista deveria assistir é o Além da Imaginação. Criada pelo roteirista Rod Serling (o mesmo do primeiro filme do Planeta dos Macacos), a série se destacou muito mais pelas boas histórias do que pelos efeitos especiais. Com poucos recursos para efeitos ou locações, o roteirista caprichava nos ótimos diálogos e nas tramas envolventes. Uma verdadeira escolha sobre como escrever uma história curta.
Um ótimo exemplo disso é o episódio O Marciano. Nele, dois policiais vão investigar um suposto disco-voador e descobrem que algo caiu no lago e foi na direção de uma lanchonete de beira de estrada. Lá, descobrem que os únicos clientes são os passageiros de um ônibus. Mas o motorista só lembra de ter levado seis pessoas e existem sete. Um deles, portanto, é o marciano. A história toda tem praticamente uma única locação (a lanchonete) e pouquíssimos efeitos especiais, alguns até meio bobos, como luzes que acendem e apagam. Mas o estado de tensão criado pelo roteirista aumenta a cada momento.
Veja aqui o episódio, dividido em quatro partes.






quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Palestra com roteiristas da Turma da Mônica Jovem

A revista Mundo dos Super-heróis vai realizar várias atividades durante o Fest Comix. Uma delas é uma palestra com os roteristas Marcelo Cassaro e Petra Leão, da Turma da Mônica Jovem, que acontecerá na sexta-feira, 16/10 às 18 horas. A Fest Comix acontece no Centro de Eventos São Luís, Rua Luís Coelho, 323 (próximo ao metrô Consolação)São Paulo, SP. Informações: (11) 3088-9116 Site: www.comix.com.br/blog . Entrada: R$ 10 (estudante paga meia )

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Quadrinistas contratados para o Casseta & Planeta

Considerada pela imprensa como uma “tentativa de injetar novas ideias ao programa”¹, a entrada dos Roteiristas Allan Sieber e Arnaldo Branco no Casseta & Planeta Urgente, da Rede Globo, foi anunciada pelos membros do programa como "contratações de peso para seu time".

ALLAN SIEBER é gaúcho, cartunista, roteirista e desenhista das tiras 'Bifa-Land' publicada no Estadão, 'Vida de Estagiário' e 'Preto no Branco' publicadas na Folha de S. Paulo. Também escreveu e dirigiu os premiados curtas de animação 'Deus é Pai' e 'Onde Andará Petrucio Felker?'.ARNALDO BRANCO é carioca, roteirista, cartunista e jornalista. Criador de personagens como 'Capitão Presença' e 'Joe Pimp', publicados pela revista Tarja Preta, produz tirinhas do 'Mundinho Animal' no site G1, e escreve as crônicas 'Histórias (Inventadas) da Televisão', na revista Monet. Também adaptou o clássico rodriguiano 'Beijo no Asfalto' para os quadrinhos. Leia mais

domingo, 11 de outubro de 2009

O melhor roteirista europeu


Terminou a enquete sobre o melhor roteirista europeu. Coloquei só três, os mais conhecidos do público brasileiro: Goscinny (Asterix), Charlier (Blueberry) e Berardi (Ken Parker - Júlia). Surpreendetemente, foi uma lavada: Giancarlo Berardi levou com 92% dos votos. Na verdade, Charlier só teve um voto e Goscinny nenhum. Uma injustiça. Todos os três roteiristas são muito bons. Com seu Asterix, Goscinny revolucionou o quadrinho infantil europeu elevando o nível de inteligência dessa mídia. Charlier criou o único cowboy que pode rivalizar com Ken Parker em termos de costrução de personagem e pesquisa histórica.
Como Berardi tem sido publicado mensalmente no Brasil e como Ken Parker ainda tem uma legião de fãs, essa deve ser a razão da vitória fácil.

A próxima enquete será sobre os roteristas da era de prata.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O roteirista profissional: televisão e cinema

Recentemente comprei o livro O roteirista profissional: televisão de cinema, de Marcos Rey. Não é segredo que Marcos Rey é um dos meus escritores prediletos e, depois de ler Esta noite ou nunca, no qual ele romanceia sua experiência como escritor de pornochanchadas, fiquei curioso para ler também esse livro.
Antes de mais nada, é bom avisar que não se trata exatamente de um manual. O autor até dá algumas dicas de como formatar o roteiro, mas não vai muito além da cabeça CENA 1 - LOCAL - EXTERIOR/INTERIOR - DIA/NOITE.
Na verdade, a obra é mais um relato de experiência com o qual podem aprender muito so que forem inteligentes e atentos. Escrito de forma coloquial, a impressão que temos é de estar conversando com um veterano e aprendendo de forma não muito sistemática.
Personagens

Uma das dicas é que Marcos Rey fazia uma espécie de questionário com qual "conversava com os personagens". Perguntas como: "Onde você nasceu? Qual a sua profissão? Gosta dela? Tem alguma religião? Já viveu algum grande amor? Tem algum ideal político? Gosta de repetir alguma palavra?" ajudam a compor o personagem. Todo mundo se lembra, por exemplo, do Coronel da novela Renascer que sempre dizia: "Certo, muito certo, certíssimo!".
No caso dos heróis, é bom dar-lhe um defeito, para torná-lo mais humano: Sherlock Holmes era um dependente de drogas, Poirot um vaidoso, Columbo um relaxado, só para ficar nos detetives.
Também é bom dar marcar fisicamente o personagem. Sherlock Holmes é conhecido pela roupa xadrez, pelo boné e pelo cachimbo. Kojak é careca e fuma uma piteira.
Se a dica é boa para seriados de TV, é melhor ainda para os quadrinhos, uma mídia que depende muito do visual.
RÚBRICAS

São marcações nas falas dos personagens para ajudar o diretor (ou o desenhista) a entender o tom da fala. Por exemplo:

JANDIRA (categórica): Neste hotel não vejo, não escuto, não falo!
PASCOAL (de boca cheia): É bom fazer coisa nova. a freguesia tá mudando!

DIÁLOGOS
Marcos Rey dá uma lição básica, mas importantíssima:
É preferível uma ação muda do que complementada por diálogos inúteis. Imagens também falam.
Nunca coloque em palavras o que a imagem já está tornando explícito.
Nesse sentido, ele critica os primeiros roteiristas de telenovelas, que, vindos do rádio, tinham o vício de fazer os personagens falarem o que estavam fazendo:
JANDIRA: Agora estou abrindo a porta. O que é isso? está tudo escuro? Ligaram uma luz! O quê? Fecharam a porta! Estou presa!
É, tem roteirista de quadrinhos que ainda faz esse tipo de coisa. Aliás, Marcos Rey devia estar pensando nos primeiros comics quando escreveu: "certos autores usam o diálogo como simples muletas de ação. Parece que escrevem histórias em quadrinhos".
NOVELAS
Marcos Rey conta que a maioria dos diretores mexia muito nos seus roteiros a ponto de muitas vezes ele não reconhecer seus textos na tela. De fato, normalmente diretores têm mais poder que os roteiristas e muitas vezes se dão o direito de mexer no texto. Isso só não acontece no caso das novelas. Os roteiristas são as grande estrelas e têm poder absoluto sobre suas novelas. Os diretores não costumam mudar quase nada. E a razão é simples: a produção de telenovelas é tão estafante e apressada que o diretor só tem tempo de filmar e editar. Curioso, não? É justamente o fato das novelas serem uma produção industrial que faz com que elas possam ser obras pessoais a ponto de conseguirmos distinguir o estilo do roteirista. Uma novela de Benedito Rui Barbosa, por exemplo, é completamente diferente de uma do Manoel Carlos.


ADAPTAÇÕES
Talvez o capítulo mais interessante seja sobre adaptações. Uma dica de Marcos Rey: adaptações ao pé da letra, fidelíssimas, são péssimas. De fato, esse talvez tenha sido o maior problema do filem Watchmen. Aliás, passado o vislumbre de ver nas telas uma transposição quase literal dos quadrinhos, o que ficou foram duas criações do diretor: a cena de abertura, com a música do Bob Dylan, perfeita, e o final, cientificamente muito mais correta do que a da história em quadrinhos.
Marcos Rey foi um dos roteiristas da excelente série do Sítio do Pica-pau amarelo da década de 1970. Hoje, 10 em cada 10 críticos diz que aquela adaptação da obra de Monteiro Lobato foi um marco, que encantou toda uma geração, mas na época a maioria dos itelectuais simplesmente odiou. E aí vai outra grande lição: nem sempre quem critica uma adaptação conhece a obra original.
Três exemplos:
1 Os críticos acharam uma heresia colocar uma televisão na sala da Dona Benta, mas não se tocaram que o Lobato já tinha colocado um rádio lá em plena década de 1920, quando esse aparelho era novidade absoluta.
2 Um episódio, Narizinho atômica foi muito criticado por estar deturpando a obra de Lobato. E era adaptação fiel de uma história menos conhecida de Lobato no qual ele falava do perigo das bombas atômicas.
3 A jornalista Cléo foi vista como absurda criação dos roteiristas, mas foi criada por Lobato, um visionário, que já imagina o dia em que as mulheres exerceriam o jornalismo.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O melhor roteirista da era de bronze


Parece que o legado de X-men ainda continua forte, tanto que deu a Chris Claremont o primeiro lugar entre os roteiristas da Era de Bronze dos comics, com sete votos. Em segundo lugar, ficou Roy Thomas, o homem que praticamente definiu a Marvel na década de 1970, com seis votos. Gerry Conway, Len Wein e Dough Moench empataram em terceiro, com três votos cada.

Não foi uma lavada, como a de Alan Moore sobre os outros roteiristas britânicos, mas mesmo assim mostra a importância desse roteirista.

Pessoalmente, não concordei muito, mas não interferi. Acho que Claremont teve um momento inspirado quando se juntou a John Byrne em X-men. A fase dos dois nesse gibi é uma das melhores coisas que já foram feitas com super-heróis em todos os tempos. A série tinha ação e profundidade psicológica na medida certa.
Mas o Claremont é um roteirista de muitos altos e baixos, mais baixos que altos. Outros da lista tiveram carreiras mais regulares, como é o caso de Doug Moench, que foi muito competente em toda a sua longa fase no Mestre do Kung Fu. Gerry Conway esteve com tudo na década de 1970, escrevendo algumas das melhores HQs do Homem-aranha, mesmo sob a responsabilidade de substituir Stan Lee. Além disso, ele fez duas obras-primas: Cinder e Ash e Esquadrão Atari, ambas com o magnífico Garcia Lopez.
Len Wein não fica atrás. Basta lembrar que foi ele que criou o Monstro do Pântano...
Conclusão: a Era de Bronze teve grandes roteiristas e não é fácil encontrar um só expoente.

Claro, como sempre faltaram nomes: Denni O´Neal, Steve Englehart, Bill Mantlo... Ficam para outra enquete.

A próxima enquete será sobre os roteiristas europeus.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Como escrever diálogos

Acredito que uma das coisas mais difíceis para o autor iniciante é escrever bons diálogos.Na verdade, confesso que recentemente li alguns autores já reconhecidos que tem problemas com isso. Portanto, esqueçamos o "iniciante" na frase anterior.Há diversos "crimes" que podem ser cometidos contra um bom diálogo. Assim, de cabeça, vou tentar lembrar de alguns que realmente me incomodam quando estou lendo um livro. Leia mais no blog do Alexandre Lobão.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Jornada nas estrelas - dívida de honra


Dizem que uma vez um jornalista brasileiro entrevistou Grant Morrison e perguntou-lhe qual sua opinião sobre o fato de que, no Brasil, os textos de Chris Claremont nos X-men serem cortados. Morrison teria respondido: "Sério? Deve melhorar muito!".
A anedota, verdadeira ou não, mostra bem os problemas do álbum Jornada nas estrelas - dívida de honra, de Chris Claremont e Adan Hugges (ed. Brainstore).
Há texto demais. E pior, texto inútil. Em uma das sequências, McCoy faz um monólogo analisando o Cap. Kirk. Trecho: "A perda de uma nave é por si um peso enorme para qualquer capitão, mas Kirk precisou destruí-la. Após roubá-la. O peso emocional, admitindo ele ou não, tem que ser muito maior".
Ou seja: a história fica estagnada para que um personagem possa analisar o outro. Aliás, esse texto parece muito com a sinopse dos personagens que a maioria dos roteiristas costuma fazer antes de começar a escrever a história. Isso deve aparecer na história nas atitudes do personagem. Colocar um outro personagem para analisá-lo parece uma trapaça, ou medo do roteirista de não ser compreendido. Além disso, o uso repetitivo desse truque transforma a HQ em uma novela, tirando todo o foco da ação.
Não é necessário sacrificar a ação para inserir profundidade psicológica na trama. O Esquadrão Atari (de Gerry Conway e Garcia Lopez) é um bom exemplo disso. A ação praticamente não para, mas os personagens são muito bem caracterizados e suas motivações são muito claras.
Lendo histórias como essa, eu começo a acreditar em algo que desconfiava há tempos: nos X-men o noveleiro Claremont foi salvo pelo John Byrne, que evitou seus excessos e introduziu mais ação na trama. Aliás, Byrne faz até algumas HQs legais, como Gerações, mas com foco exclusivamente na ação. Quando o homem de ação Byrne se juntou ao noveleiro Claremont tivemos uma das melhores HQs de todos os tempos. Separados, os dois não funcionam tão bem. Mas Claremont é o que mais perde.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

As motivações dos personagens

Todo personagem tem uma motivação, algo que o leva em frente e o faz enfrentar os desafios oferecidos pelo conflito.
Muitas vezes essa motivação pode ser representada por um ou mais objetos. Na primeira saga de Sandman, a motivação do personagem era recuperar os objetos de poder que lhe haviam sido roubados: a algibeira de areia, o elmo e o rubi.
Normalmente, os objetos materiais são apenas representações de motivações psicológicas, tanto que Sadman, após conseguir os objetos de volta, entra em depressão, pois a busca dos objetos era o que lhe dava forças para enfrentar racionalmente o fato de ter ficado tantos anos preso.
Em A Piada Mortal, a motivação do Coringa é provar que todos podem ficar loucos se tiverem um dia ruim. A motivação do Batman é exatamente o oposto. Claro que, nesse roteiro muito bem construído, as respostas não são tão simples e, no final, parece que nenhum dos dois consegue alcançar totalmente a sua motivação.
Durante boa parte da fase de Alan Moore no Monstro do Pântano, a motivação do personagem é saber mais sobre si mesmo, conhecer-se, o que leva o personagem a seguir John Constantine.
No livro Homens do Amanhã, Gerard Jones faz uma interessante análise das motivações do Capitão América, relacionando-as com as motivações de seus criadores: "Ele é o garoto subnutrido do gueto que adquire uma força desmedida ao agarrar as oportunidades americanas". Sua luta contra o nazismo é também a luta de seus criadores em busca de confiança em um mundo que perseguia os judeus. Assim, quando o Capitão América soca Hitler em uma das primeiras histórias, jogando-o no lixo, ele representa as motivações de todas as pessoas que se sentem oprimidas e gostariam de serem capazes de dar a volta por cima, vingando-se de seus opressores.
No filme UP, a motivação do velhinho ao voar com sua casa é voltar aos tempos de infância. A motivação do escoteiro, que quer ganhar mais um distintivo é, na verdade, conseguir a atenção do pai. O distintivo é apenas o objeto que representa a motivação do personagem.
Batman, o cavaleiro das Trevas, apresentou uma motivação global para o personagem ao mostrá-lo como alguém que luta contra seus próprios medos, tanto que adota a imagem dos morcegos que tanto lhe causaram pavor na infância. Essa motivação aparece, inclusive, na Piada Mortal.
Há histórias, criadas por roteiristas iniciantes, em que os personagens parecem não ter motivação. São só bonecos de palha, joguetes, que passam pela história, lutam, mas não se sabe porque estão fazendo isso. A falta de motivação os faz ocos por dentro.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Entrevista com o roteirista André Diniz, autor da história em quadrinhos 7 vidas


Pedro Brandt
Publicação: 13/09/2009 07:00 Atualização: 12/09/2009 10:21
Imagino que a respostas seja “sim” mas, você realmente fez terapia de vidas passadas? O que você achou do processo — quero dizer, além do que está na HQ? Acredita que se fizesse a terapia outra vez, suas vidas anteriores seriam as mesmas? Recomenda esse tipo de terapia para outras pessoas?
Claro! Quem dera eu ter criatividade pra inventar tudo aquilo... Foi uma experiência fantástica e riquíssima e recomendo a qualquer um, mesmo quem não acredita em vidas passadas. Pois mesmo que tudo seja fruto do inconsciente, em nada muda essa jornada de autoconhecimento que são as sessões de regressão. Acredito que, caso eu retome a regressão um dia, serei conduzido a vidas mais antigas, que era o caminho que as últimas sessões estavam tomando. Mas eram “lembranças” distantes demais, e como senti que as sete vidas já vistas que relato no livro se completavam muito bem, não creio que eu retome as regressões.

Você tentou manter a HQ o mais biográfica possível? O quanto isso pode limitar sua liberdade de criação?
Faz parte do jogo de um escritor ou roteirista romancear e florear um pouco — ou muito — a realidade para que um fato real gere um livro ou um filme interessantes. No caso da história desse livro, porém, posso te assegurar que tudo o que conto foi 99% assim, e não haveria problema algum em romancear mais. Só que tudo foi tão interessante exatamente da forma que aconteceu que o livro só perderia se eu mudasse alguma coisa. Mesmo cenas que vi e que não diziam nada, fiz questão de narrar. Também o que se passou na minha vida pessoal naquele momento, a perda de uma gravidez e uma nova gravidez surgindo nas mesmíssimas circunstâncias que a primeira, formaram uma linda analogia ao tema do livro, que são as vidas que vêm e que vão, e que voltam. As únicas adaptações que fiz foi mostrar cada vida sendo vista em uma única sessão, enquanto eu as via, na verdade, ao longo de duas ou três sessões diferentes; e também tive que criar diálogos onde haviam lembranças de cenas e de fatos, mas não exatamente de falas. Mas foi só isso, não mudei sequer a ordem em que tudo aconteceu. Leia mais

domingo, 20 de setembro de 2009

Os melhores roteiristas britânicos

Já tenho o resultado da primeira enquete deste blog. Perguntei quem era o melhor roteirista britânico. Foi uma vitória fácil. Alan Moore ganhou com 16 votos. Em segundo lugar ficou Neil Gaiman, com 4 votos. Em terceiro, Grant Morrison, com 3. Em quarto, Mark Millar, com 1 voto. James Robinson não recebeu nenhum voto. Assim, o resultado ficou, na ordem:


1 - Alan Moore

2 - Neil Gaiman

3 - Grant Morrison

4 - Mark Millar

5 - James Robinson


O resultado me parece justo. Se me perguntassem, eu colocaria os roteiristas britânicos numa ordem parecida. Só lamento que James Robinson não tenha conseguido nenhum voto. Ah, depois que fechei a enquete que lembrei de outros dois bons roteiristias: Jamie Delano (Hellblazer) e Garth Ennis (Justiceiro). Em todo caso, não cabia tanta gente assim e eles ficam para uma próxima enquete.
A próxima enquete será sobre os roteiristas da Era de Bronze.