sexta-feira, 29 de abril de 2016
Star Trek Brasil: Assistir Online Star Trek A Série Original Dublada...
Star Trek Brasil: Assistir Online Star Trek A Série Original Dublada...: A Série narra as aventuras da tripulação da nave estelar USS Enterprise, da Federação dos Planetas Unidos, numa missão de cinco anos p...
quinta-feira, 28 de abril de 2016
Texto como camada de significado
O texto deve dar uma camada a mais de significado à HQ, indo além daquilo que o desenho mostra.
Um bom
exemplo disso é o Surfista Prateado. Ele foi colocado por Jack Kirby na
história em que o Quarteto enfrenta Galactus. Para Kirby, Galactus era tão
poderoso que deveria ter um arauto, o que não estava na sinopse entregue para
por Stan Lee. Para Kirby, o Surfista era um personagem que tinha função apenas
decorativa. Mas quando Stan Lee viu o desenho achou que ele se parecia com um
filósofo, um profeta, de alma nobre e bons propósitos, que era obrigado a
servir Galactus. Stan Lee acrescentou ao desenho de Kirby uma camada a mais de
significado que transformou um mero coadjuvante num dos personagens mais
interessantes e cults da Marvel.
O mesmo
aconteceu com a história A insólita Família Titã escrita por mim e desenhada por
Joe Bennett e publicada em diversas revistas eróticas na década de 1990 e
finalmente reunida em álbum pela Opera Graphica em 2014.
A história
surgiu de um convite do editor Franco de Rosa, que precisava urgente de uma
história em quadrinhos de 30 páginas. Nós tínhamos duas semanas para produzir
tudo: roteiro, desenho, arte-final, balonamento. Dessa forma, assim que
soubemos do pedido, começamos a discutir a trama. A pressa era tanta que nós
íamos conversando e o Bené já ia fazendo um esboço das páginas. Ao final,
peguei aquele calhamaço e fui colocando texto. Esse processo todo durou menos
de uma manhã, pois início da tarde já era necessário dar início à produção do
desenho.
A pressa fez
com que nós não tivéssemos tempo de discutir sobre a história. O resultado
disso foi que eu jurava que o personagem Tribuno era o herói da história.
Afinal, ele era o único dos três heróis que queria usar seus poderes para o bem
da humanidade. Já para o Bené, ele era o vilão, pois só um vilão entraria numa
jornada de vingança como fez o Tribuno.
Ou seja: o
herói estava ali, cometendo as maiores atrocidades, mas eu estava lhe dando
motivações, comprando o leitor com meu texto.
A história
acabou ficando com uma dualidade ímpar: para alguns leitores, o Tribuno era um
tremendo vilão, para outros, era um herói. A mistura de desenho e texto
permitiu essa dupla leitura.
O texto e os
diálogos, portanto, devem ir muito além da simples narrativa. Devem dar
humanidade aos personagens, devem mostrar suas motivações e, principalmente,
devem fazer o leitor se sentir dentro da HQ. Os quadrinhos são bidimensionais,
mas o leitor deve se sentir dentro de uma história com todas as dimensões
possíveis. Deve sentir os cheiros, deve ouvir os sons. Uma boa história é como
uma realidade virtual, que transporta os leitores para um mundo em que tudo é
possível.
sábado, 26 de março de 2016
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
o que é um Bife no roteiro?
Um roteiro, seja de quadrinhos ou de cinema, não é
literatura. Ao contrário de um livro, ele deve ser feito para ser visto.
Quadrinhos e cinema são mídias visuais. O que pode ser
mostrado com imagens, deve ser apenas imagem.
Se um personagem é um adolescente que gosta de rock,
mostrá-lo num quarto com posteres de banda de rock ou com camisa de uma banda
cantando uma canção de sua banda predileta é suficiente para repassar a
mensagem. Não há necessidade de um narrador ou um personagem dizendo:
"Fulano gosta de rock".
Algumas das melhores sequências do cinema são mudas, como a
abertura do primeiro De volta para o futuro, com a sequência no laboratório que
nos conta tudo que precisamos saber sobre o Dr. Brown, inclusive que ele roubou
o urânio do qual se fala na TV.
Outra abertura genial é a de Dois filhos de Francisco. Toda
a sequência inicial, do pai pelejando para conseguir pegar rádio na roça mostra
sua paixão por música que será o fio condutor de toda a trama.
Assim, as ações é que contam a história e nos dão a
motivação dos personagens. Em Contato, a sequência da morte do pai será
fundamental para que a cientista Ellen busque comunicação com outros mundos e,
quando os ETs aparecem para ela, sacamos que no fundo sua busca por contato era
também uma forma de resgatar o pai (o alienígena aparece com o rosto do pai da
cientista).
Maus roteiristas desconhecem isso e tendem a explicar tudo
com diálogos ou narração em off. Um roteirista iniciante colocaria, na cena do
encontro de Contato, uma narração em off, nos dizendo algo como: "Naquele
momento Elleanor percebeu que sua busca por contato era, na verdade, uma forma
de voltar a encontrar o pai".
Isso de explicar a história com diálogos é algo tão
irritante que ganhou até um nome próprio, uma gíria: bife (alguns também usam
muleta).
Maus roteiristas usam e abusam do bife, explicando o tempo
todo os fatos ao expectador. Exemplo disso é a novelista Glória Pérez, famosa
por adorar um bife. Na novela Caminho da Índia, por exemplo, toda vez que
tínhamos uma cena com a psicopata Yvone, na sequência aparecia uma psicóloga
explicando as ações da psicopata.
Talvez o exemplo mais famoso de bife, ou muleta, tenha sido
uma das cenas finais de Psicose, em que um psicólogo explica o comportamento de
Norman Bates. A cena é tão didática que parece uma concessão do diretor, Alfred
Hitchcock, para os produtores, no sentido de tornar o filme mais compreensível
para a grande massa. Felizmente a cena seguinte, de Norman sentado na cadeira,
olhando para o expectador e sua mãe falando por ele salvam o final. Aliás,
bastava essa cena final e o expectador entenderia tudo - sem a necessidade do
bife psicológico.
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
Leitimotiv: o motivo condutor
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| A cidade de Cartão Postal em Refrão de Bolero muda de significado no final da história. |
Em roteiro tem se usado para uma ação ou objeto recorrente que expressa os sentimentos ou estado do personagem, ou até mesmo uma mudança nesse estado.
No filme de Billy Wilder Pacto de sangue, o chefe do protagonista nunca consegue acender o cigarro (e quem acende para ele é o protagonista). No final, quando o protagonista está caído no chão, é o chefe que acende o cigarro para ele. O cigarro aí era a representação primeiro de como o personagem estava conseguindo enganar o chefe, e depois de sua derrota, de sua incapacidade de continuar com a farsa e sua derrota intelectual.
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| Em Pacto de sangue, o cigarro representa empodeiramento. |
Em Refrão de bolero, a expressão "Cidade de Cartão Postal" é usada pela protagonista para se referir a Belém, quando ela está ali como turista. Depois, quando ela foi assaltada e se vê sozinha, sem dinheiro ou documentos numa cidade desconhecida, ela diz: "tudo que tenho é um corte na mão... e uma cidade de cartão postal". A expressão é um Leitmotiv que representa, primeiro, sua impressão de turista sobre a cidade e, depois, sua nova visão sobre ela, o que irá, de certa forma, desencadear o segundo ato.
No filme aconteceu naquela noite, de Frank Capra acompanhamos uma moça rica que está fugindo do pai, indo para Nova York incógnita para impedir que seu pai anule seu casamento com um aviador. No meio do caminho ela conhece um jornalista, que se oferece para ajudá-la em troca de exclusividade sobre a história (o desaparecimento da moça virou notícia nos jornais). Quando o ônibus para, os dois, sem dinheiro, alugam um único chalé e o jornalista estende um cobertor no meio do quarto para separá-los e diz que é a muralha de Jericó. Foi uma forma esperta de Capra burlar a censura da época (afinal, um casal não casado dormindo juntos no mesmo quarto não era bem visto pela sociedade americana), mas acabou se tornando um Leitmotiv que expressava exatamente a tensão entre os dois, inclusive a tensão sexual. No final, do filme, a queda a muralha de Jericó simboliza o fim da tensão e a união sexual dos dois.
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| A "muralha de Jericó" simbolizava a tensão entre os personagens. |
De uma forma menos sutil e mais geral, podemos usar a expressão Leitmotiv para nos referir a uma ação do personagem que revela suas verdadeiras intenções. No meu romance O uivo da górgona, em determinado ponto uma personagem que o leitor imagina simpática e que em outras ocasiões havia acariciado o cachorrinho da históira se abaixa para acariciar o cachorro... e em seguida lhe quebra o pescoço. Esse ato, descrito de maneira seca e sem sentimentos desvela ao leitor a verdadeira natureza da personagem.
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
sábado, 26 de setembro de 2015
E-book uivo da górgona
O uivo da górgona é uma história de zumbis diferente, em que um som estridente destrói o neocórtex e o complexo límbico das pessoas, transformando-as em seres irracionais, governados pelo complexo R. Além de uma história de horror é uma crítica ao processo, cada vez mais atual de massificação da humanidade.
O livro está no site de financiamento coletivo Catarse (para quem não conhece, funciona como uma espécie de pré-venda, na qual a pessoa apoia e recebe diversas recompensas). Para acessar o projeto, clique aqui.
Clique aqui para baixar o e-book promocional e conhecer a história.
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Gian Danton busca financiamento para livro de terror no Catarse
Um som aterrador soa
pela cidade. Quem o ouve tem seu cérebro modificado e se transforma num zumbi,
governado pelos instintos mais básicos e violentos do ser humano. Essa é a
premissa de O uivo da górgona, livro de terror de autoria do roteirista de
quadrinhos Gian Danton que está no site de financiamento coletivo Catarse.
Gian Danton é
roteirista de quadrinhos desde 1989. No começo da década de 1990 ficou famosa
sua parceria com o desenhista Joe Bennett, em especial nas histórias de terror
lançadas em revistas como Calafrio e A hora do crepúsculo. No ano 2000 escreveu
a graphic novel Manticore, que transformava o fenômeno chupa-cabra numa trama
de horror e ficção-científica e faturou diversos prêmios. Nos últimos anos,
além de quadrinhos, tem se dedicado à literatura, participando de diversas
antologias de fantasia e terror. Seu primeiro romance, Galeão, é uma história
de fantasia sobre um navio à deriva no Atlântico.
O uivo da górgona,
embora seja literatura, tem um estilo que ecoa as tiras de quadrinhos com
capítulos curtos que terminam em uma situação de suspense que é desenvolvida no
capítulo seguinte: “O uivo é resultado de um apanhado de referências, desde meu
interesse pelo cérebro humano e os comportamentos coletivos até narrativas como
O Eternauta, do roteirista argentino Oeterheld, em que o suspense é usado como
elemento fantástico”, explica Gian Danton.
Na história, pessoas
que ouvem determinado som têm as células do neocórtex destruídas e passam a ser
governadas pelo complexo reptiliano, num comportamento violento e puramente
instintivo.
Outra atração do
projeto são as ilustrações do desenhista paranaense João Ovitzke, pouco
conhecido no meio editorial, mas dono de um traço que combinou perfeitamente
com a história de terror. Outro desenhista que estará no projeto será Antonio
Eder, antigo parceiro de Gian Danton em várias histórias em quadrinhos.
O livro terá entre 250
e 300 páginas (se uma das metas estendidas for alcançada, o volume contará
também com um conto dentro do universo da história) e pede 4 mil reais. Entre
as recompensas há outros livros e quadrinhos de Gian Danton. Para apoiar basta
acessar o endereço do Catarse (https://www.catarse.me/pt/gorgona) e escolher a
recompensa.
SERVIÇO
Livro O uivo da górgona
Endereço no Catarse: https://www.catarse.me/pt/gorgona
Contribuição mínima: 10
reais
E-book promocional http://ivancarlo.blogspot.com.br/2015/09/e-book-o-uivo-da-gorgona.html
terça-feira, 25 de agosto de 2015
Os anos de inventividade do terror nacional
Idealizado pelo coordenador da Gibicon e sócio da ZnorT! Fabrizio Andriani, o projeto de financiamento coletivo ‘Margem Negra’ capta pelo site Catarse o valor de R$ 21 mil para produzir um álbum histórico que reúne as histórias produzidas pela dupla Gian/Bené nos anos de 1980/90. Com o passar do tempo, o material se tornou um clássico do quadrinho nacional de terror.
À época, tanto Gian Danton (roteiro) quanto Bené Nascimento (desenhos) estavam em início de carreira, na longínqua região Norte do Brasil. Mais tarde, Gian se tornaria um dos mais premiados roteiristas de gibis, com livros sobre a técnica e pesquisas acadêmicas; e Bené passaria a se chamarJoe Bennett, um prestigiado artista da Marvel e da DC Comics, com trabalhos ligados a Alan Moore.
Os gibis produzidos no início da carreira de ambos se fixariam na memória do quadrinho nacional, despertando o interesse de antigas e novas gerações de leitores. Mas as histórias ficariam décadas longe do mercado editorial, permanecendo praticamente perdidas em acervos pessoais e de instituições como a Gibiteca de Curitiba. Graças ao projeto, todo esse material pode vir à luz e retornar, pela primeira vez, em um livro que se chamará ‘Margem Negra’. Leia mais
Resenha: como escrever quadrinhos
Como escrever quadrinhos de Gian Danton é um livro que se propõe a abrir a oficina de um escritor e pesquisador de quadrinhos de maneira sistemática e didática. Gian Danton (pseudônimo de Ivan Carlo) além de professor da Universidade Federal do Amapá, possuí uma larga experiência como roteirista de HQs: desde os anos 1990 sua produção incluí obras premiadas como Manticore,e parcerias com desenhistas da envergadura de Joe Bennett e Eugênio Colonnese. Como escrever quadrinhos acaba por ganhar um raro equilíbrio entre a prática do roteirista e a reflexão do acadêmico, algo raro de se ver mesmo em obras consagradas como o Guia oficial DC Comics:desenhos e roteiros de Klaus Janson e Dennis O´neil ou Como desenhar histórias em quadrinhos no estilo Marvel de Stan Lee e John Buscema.
Em seu texto, Gian disseca a arte de criar roteiros para quadrinhos. A precisão conceitual do autor é ampliada pela notável capacidade em ilustrar os termos apresentados com exemplos advindos da sua prática criativa. O que se estabelece é um diálogo vívido entre Gian e o leitor durante toda a leitura. Leia mais
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
O clube dos cinco - uma aula de roteiro
Um dos critérios que uso para distinguir se um filme é bom ou não é assisti-lo uma segunda vez. Já ocorreu de filmes em que gostei da primeira e simplesmente não consegui assistir pela segunda vez. E outros que melhoram a cada vez que assisto. Exemplo disso é o Clube dos cinco (filme de 1985, de John Hughes que transformou o gênero teen num fenômeno global) que assisti recentemente no Netflix e assisti de novo quando passou no cinema.
Ao contrário de muitas imitações que surgiram posteriormente (algumas das quais ainda estão por aí até hoje, a exemplo de Malhação), o filme de Hughes é uma obra-prima em que cada take tem algo de genial, a começar pela sequência inicial. A cena de abertura mostra os cinco estudantes chegando para o sábado em que ficarão de castigo na escola. Nessa única sequência entendemos quem são eles, a relação que ambos têm (ou não) com os pais etc. É um primor de primeiro ato, em que os personagens e a ambientação são apresentados de forma espontânea, simples, mas significativa.
Roteiros sobre pessoas confinadas são os mais difíceis, pois as opções de ação, conflito e desenvolvimento ficam extremamente limitadas. O diretor e roteirista John Hughes no entanto, produziu um roteiro perfeito, em que a cada passo se estabelece um conflito, seja entre eles, seja deles com os pais (que não estão ali, mas acabam tendo grande importância na trama - afinal é um filme sobre adolescentes), seja deles com o professor, seja deles com o grupo que frequentam e as pressões sofridas. E, no final, o conflito é resolvido de forma totalmente orgânica, natural, ao perceberem que, apesar de todas as diferenças, há muito mais em comum.
Se todos os méritos do filme já não valessem assistir, vai mais um: a longa cena da conversa entre os cinco e o depoimento do esportista, aquele que aparentemente é o mais raso de todos, mas acaba se revelando um dos mais sensíveis e a incrível direção com um travelling horizontal que aumenta em muito o impacto da cena.
Enfim, um filme para assistir, assistir de novo e de novo.
Ao contrário de muitas imitações que surgiram posteriormente (algumas das quais ainda estão por aí até hoje, a exemplo de Malhação), o filme de Hughes é uma obra-prima em que cada take tem algo de genial, a começar pela sequência inicial. A cena de abertura mostra os cinco estudantes chegando para o sábado em que ficarão de castigo na escola. Nessa única sequência entendemos quem são eles, a relação que ambos têm (ou não) com os pais etc. É um primor de primeiro ato, em que os personagens e a ambientação são apresentados de forma espontânea, simples, mas significativa.
Roteiros sobre pessoas confinadas são os mais difíceis, pois as opções de ação, conflito e desenvolvimento ficam extremamente limitadas. O diretor e roteirista John Hughes no entanto, produziu um roteiro perfeito, em que a cada passo se estabelece um conflito, seja entre eles, seja deles com os pais (que não estão ali, mas acabam tendo grande importância na trama - afinal é um filme sobre adolescentes), seja deles com o professor, seja deles com o grupo que frequentam e as pressões sofridas. E, no final, o conflito é resolvido de forma totalmente orgânica, natural, ao perceberem que, apesar de todas as diferenças, há muito mais em comum.
Se todos os méritos do filme já não valessem assistir, vai mais um: a longa cena da conversa entre os cinco e o depoimento do esportista, aquele que aparentemente é o mais raso de todos, mas acaba se revelando um dos mais sensíveis e a incrível direção com um travelling horizontal que aumenta em muito o impacto da cena.
Enfim, um filme para assistir, assistir de novo e de novo.
Inspeção - Gógol em quadrinhos
Inspeção surgiu de uma sugestão de Gian Danton para que fizessem uma adaptação da peça O inspetor Geral, do escritor russo Nicolai Gógol. A dupla já tinha adaptado outra obra de Gógol (o conto O nariz, que virou a HQ Phobus). Na peça, os políticos corruptos de uma cidadezinha descobrem que irão receber a visita de um inspetor e, quando chega um espertalhão, pensam que se trata dele e passam a fazer de tudo para agradá-lo. Na história da dupla Gian Danton e Joe Benett, são os internos de um hospício que chamam um demônio para libertá-los (e este aparece na forma de um inspetor). Mas, como se diz: cuidado com o que você pede. Sempre há consequências.
Essas e outras histórias no álbum Margem Negra.
Apoie esse projeto no Catarse: https://www.catarse.me/pt/margemnegra
Essas e outras histórias no álbum Margem Negra.
Apoie esse projeto no Catarse: https://www.catarse.me/pt/margemnegra
terça-feira, 11 de agosto de 2015
Dan Dare: processo de produção do roteiro
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| Dan Dare e seus amigos, na versão clássica. |
Dan Dare é um dos mais clássicos personagens de quadrinhos da Inglaterra, e certamente um dos mais importantes no gênero ficção cientifica, rivalizando apenas com Jude Dreed. O personagem é da década de 1950 e chegou a ser lançado no Brasil pela Ebal na década de 1970, na revista 2000 AD.
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| Dan Dare na versão da década de 1970. |
Ano passado fui contatado por um agente local para escrever as aventuras do personagem para uma revista britânica, a Strip Magazine. O esquema era o comum das publicações em série britânicas: histórias em continuidade de seis páginas que formavam um ciclo depois lançado como álbum de luxo.
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| Revista nos moldes da 2000 AD na qual seria publicada a nova versão do personagem. |
Eu escreveria a segunda saga do personagem (a primeira seria escrita pelo editor).
Propus um plot sobre um planeta com uma inteligência vegetal que foi aceito com sugestões do editor para adequar à trama ao plot maior.
Fiz o plot estendido e o roteiro de duas partes da saga. Foi uma experiência interessante por trabalhar com o método inglês, com roteiros detalhados, que incluíam inclusive angulação e planos. Para facilitar para o tradutor, a partir do segundo capítulo, eu comecei a colocar os termos técnicos em inglês, garantindo que eles ficassem corretos na tradução.
Esse material ficou inédito por mais de um ano até que esta semana tive a confirmação do agente de que a revista de fato não terá continuidade (mais um calote, agora de uma editora inglesa - espero até ano que vem levar calote da Marvel).
Assim, publico aqui partes do material produzido, como forma inclusive de mostrar como é o processo de produção de roteiro de uma editora estrangeira.
PLOT
Dan Dare e sua equipe chegam a um planeta desconhecido. A Prof Peabody afirma que há uma forma de vida complexa, grande e possivelmente inteligente no planeta. Dan sai para investigar. Quando volta, a nave desapareceu. Na verdade, o planeta inteiro é um grande ser.Dan come uma fruta e entra em contato com o planeta. Descobre que o planeta está sob ameaça e por isso reagiu. O planeta devolve a nave e Dan promete ajudar.
PLOT DECUPADO DO PRIMEIRO CAPÍTULO (com acréscimos do editor)
DAN DARE: THE EDEN AFFAIR
Original story Gian Danton
Revised by J. Freeman
Last Revised: 10th April 2014
Chapter 1
Este capítulo terá menos ação já que ele irá introduzir os personagens. Dan Dare e seu time chegam na Valiant(Design por John Ridgway), uma grande nave de exploração, em um planeta desconhecido fora do nosso sistema solar.
(A história se passa durante uma missão maior para descobrir mais sobre a Guerra Galáctica e os aliens que enviaram os Therons e outros para o nosso sistema solar, ver a Bíblia de História)
Professora Peabody confirma que existe evidências de vida alienígena no planeta, mas os sinais que ela detectou não indicam quantos nem a quanto tem eles estão ali.
Aterrissando, o time descobre que o planeta é coberto por uma flora exuberante. Dan, Digby e alguns outros membros da tripulação fazem a descida ao planeta usando a Anastasia e outro veículo de aterrisagem afim de investigar melhor e encontrar os alienígenas e a vida inteligente. Dan e Co começam a exploração utilizando um veículo de exploração armado.
Enquanto isso, a professora fica no veículo de aterrisagem escaneando o planeta para encontrar qualquer forma de vida inteligente e os alienígenas. Sir Hubert fica com ela, junto com o resto da tripulação.
Dan Não encontra nenhuma forma de vida animal (mas eles encontram alguns insetos comendo partes de algumas plantas – Essas criaturas que estão ameaçando o planeta. Ver abaixo) e começam a duvidar se realmente poderia haver alguma forma de inteligência naquele planeta, muito menos algum alienígena que tivesse algo a ver com a Guerra Galáctica
Então, sobre uma colina, nós temos uma cena de “wow” – uma cena de devastação pura, uma área destruída e arrasada... no centro dela está uma nave de Alien misteriosa – na nave usada pelos alienígenas misteriosos que estão por trás da guerra galáctica de onde os Therons fugiram.
O time se aproxima cautelosamente, esperando por um ataque - seu medos não são em vão já que armas surgem por tras da bela camada bio-tecnológia da nave. As armas miram na equipe e abrem fogo.
O ROTEIRO DA PRIMEIRA PARTE
(duas primeiras páginas da primeira história)
DAN DARE: THE EDEN AFFAIR
Roteirista: Gian Danton
Revised by J. Freeman
Primeiro tratamento
Capítulo 1
Página 1
Quadro 1 – Temos um quadro grande um plano geral da nave Valiant no espaço, acima do planeta que iremos chamar de Eden. Minha sugestão é que título e créditos entrem neste quadro.
Dan Dare (off): Você tem certeza, professora?
Quadro 2 – Agora temos uma cena interna da Valiant. Dan, Professora, Digby, Hubert e talvez algum outro personagem estão discutindo ao redo de uma mesa. A professora mexe em uma espécie de tablete avançado. (John, não sei se a Valiant terá sala de reuniões, como em Jornada nas Estrelas. Caso não tenha, essa cena pode se passar na ponte de comando).
Professora Peabody: Sem dúvida, Dan. Há vida no planeta abaixo. E vida inteligente.
Hubert: São os inimigos?
Quadro 3 – Close da professora. Embora a Bíblia não a mostre de óculos, acredito que ela possa usar óculos para ler, como forma de reforçar seu aspecto intelectual. Então, como ela está mexendo no tablete, estaria usando os óculos (provavelmente um óculos tecnológico, na linha do Google Glass).
Professora: Difícil dizer, Dan. Alguns acreditam que os Treen inimigos não sobreviveram à fuga.
Digby: Mekon ainda deve estar vivo. Como diz minha tia Anastácia, vaso ruim nunca quebra...
Quadro 4 – Um plano geral. Dan está em pé, para mostrar sua determinação, e apoia as mãos na mesa.
Dan: Em todo caso, temos que investigar. Hubert, prepare a Anastácia e um grupo de descida.
Quadro 5 – Close de Dan.
Dan: Professora, a senhora vem conosco!
Página 2
Quadro 1 – Agora temos a Anastácia. Dan, Digby Pierre August, Prof. Peabody e Spry fazem parte dessa equipe de reconhecimento. Pierre august pilota a nave. Neste quadro, vemos a cena de dentro. Prof. Peabody está sentada ao lado de Dan e conversa com ele. (John: achei que Dan não deixaria a nave Valiant sem um oficial, e acredito que Hubert seria a pessoa que ele mais confiaria, assim Hubert ficou na nave, ok?).
Professora: Tem certeza de que foi uma boa ideia trazer Spry conosco? Ele é apenas um cadete.
Quadro 2 – Close de Dan.
Dan: Ele é um garoto inteligente e nunca aprenderá se não entrar em ação. Tenho a intuição de que em algum momento ele pode ser importante para nossa missão.
Quadro 3 – Close da professora.
Professora: Você segue sua intuição, eu sigo meus cálculos.
Quadro 4 – Close de Dan. (John: aqui estamos dando um gancho para a solução final, que acontecerá quando a professora Peabody seguir sua intuição)
Dan: No momento em que seguir sua intuição, talvez descubra que ela pode lhe dar respostas que a razão não dá.
Quadro 5 – Plano médio, mostrando Pierre em primeiro plano.
Pierre: Senhor, estamos nos aproximando do solo.
Quadro 6 – Dan e os outros colocando os cintos.
Dan: Preparar para aterrisagem. Coloquem os cintos.
Quadro 7 – A nave aterrissando. Não mostre muito do cenário para não perder o impacto da próxima página.
domingo, 26 de julho de 2015
Projeto no Catarse resgata HQs de terror
No início da década de 1990 uma dupla de quadrinistas de Belém do Pará
revolucionou o terror nacional. Com influência de Alan Moore e Neil Gaiman,
Gian Danton e Joe Bennett faziam histórias pesadas, em que tripas se misturavam
com horror psicológico. Essas histórias foram publicadas em diversas revistas,
mas nunca foram reunidas. Resgatar esses quadrinhos em um álbum de luxo é o
objetivo do projeto Margem Negra, que busca apoio no Catarse
(https://www.catarse.me/pt/margemnegra).
Joe Bennet, que na época assinava Bené Nascimento, é famoso
nacionalmente, tendo desenhado quase todos os personagens da Marvel e da DC.
Gian Danton é roteirista premiado, autor de vários livros sobre quadrinhos,
entre eles o Como escrever quadrinhos (Marca de Fantasia) lançado recentemente.
O resgate das histórias é resultado da junção das editoras Devaneio e
ZnorT! Como muitas dessas histórias estavam perdidas, contou-se com o apoio de
fãs, que escanearam as HQs e enviaram para que fosse incluídas no álbum. Além
disso, várias histórias só foram resgatadas graças ao acervo da Gibiteca de
Curitiba. Entre as atrações há até uma história da época, inédita, por ter sido
recusada por vários editores em razão de unir super-heróis e terror.
O álbum, que a princípio terá 130 páginas (pode ter mais, se forem
atingidas as metas estendidas) trará também uma história inédita escrita por
Gian Danton e desenhada por Joe Bennett.
Quem apoiar o projeto receberá várias recompensas, de álbuns de
quadrinhos e livros a originais da história inédita.
SERVIÇO
ÁLBUM MARGEM NEGRA
Link do Catarse: www.catarse.me/pt/margemnegra
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