quarta-feira, 16 de março de 2011

Entrevista com Marcos Franco

Marcos Franco é um dos grandes roteiristas da nova geração. Apesar de estar pouco tempo na estrada, ele foi o ganhador do Ângelo Agostini deste ano como melhor roteirista. Conheça um pouco mais desse grande talento bahiano. 
 
Como você começou a ler quadrinhos? 

Comecei a ler quadrinhos aos 6 ou 7 anos. Tive uma criação bastante rígida, por vezes até violenta, meus pais não me deixavam sair muito de casa, na maior parte do tempo eu vivia recluso em um quarto e os quadrinhos eram a minha única companhia.  Os gibis eram o meu mundo particular, meu universo de fantasias que ajudavam a transpor as paredes daquela “prisão”. Lembro que uma das poucas pessoas com quem meus pais me deixavam sair era a minha avó. Eu era o único neto homem e ela fazia todas as minhas vontades, uma delas era comprar quadrinhos, praticamente toda semana nós íamos às bancas e sebos do centro comercial da minha cidade. Pois é, a “válvula de escape” para um drama pessoal vivido na infância acabou por se tornar a minha maior paixão.

Os quadrinhos foram para você uma espécie de terapia? Pode dizer que os quadrinhos o salvaram? Tive a mesma impressão ao ver o documentário sobre o Crumb. Vendo a família dele, percebemos que ele não enlouqueceu por causa dos quadrinhos.

Digamos que sim. Bom... Comigo não chegou a ser tão barra pesada, mas confesso que ainda tenho certos bloqueios por conta dessa criação. Meus pais eram dogmáticos, tinham uma disciplina dura e inflexível, não era permitido discordar de sua autoridade ou questioná-la. 
Meu pai, homem rude e simples do campo, não tinha muito trato na educação dos filhos, para ele a violência era sempre a melhor pedagogia. Já a minha mãe era aquele tipo superprotetora,ela entendia o significado da palavra proteção de uma forma um tanto exagerada. Ficava de plantão o  tempo todo, não me deixava sair, controlava minhas amizades e tudo que por ventura podesse me corromper ou causar mal (era o que ela pensava). Sei que eles faziam isso com a melhor das intenções, no entanto acho que isso me prejudicou mais mais do que ajudou.

Quais eram os gibis que a sua avó comprava para você?
Minha avó e também os meus pais (às vezes) compravam coleções e títulos avulsos de diversas editoras e gêneros. Eu tinha uma coleção bastante razoável (hoje ela é bem maior) e a molecada do bairro costumava ir sempre lá em casa só para trocar gibis. Eles costumavam me comprar títulos variados do terror nacional (a muito contra gosto), muita coisa Marvel/DC das editoras EBAL, Bloch, RGE e Abril e bastante quadrinho infantil. Lembro-me com saudosismo de revistas como Os Trapalhões, Riquinho, Bolinha e Luluzinha, Bolota, Recruta Zero, Mortadelo e Salaminho, Os Tutti Frutti, Cacá, Pantera Cor de Rosa e Popeye. Ainda guardo com carinho algumas delas.

Quais foram os autores que te influenciaram? 

 Têm vários. A maioria das influências em roteiro é mesmo nacional. Vale citar os principais: Júlio Emílio Braz, Ataíde Braz, Elmano Silva, Ota, Rubens Francisco Lucchetti, Luís Meri, E. C. Nikel, Carlos Patati e um certo Gian Danton. Durante as décadas de 70 e 80 eu acompanhei praticamente tudo o que essas lendas vivas do quadrinho nacional produziram para editoras como Grafiphar, Vecchi, ICEA, Press Editorial, D-Arte e Bloch. Ah! Bons tempos aqueles...

Como você começou a escrever quadrinhos? 

 No ano de 1991 aconteceu um seminário sobre quadrinhos na Universidade Estadual de Feira de Santana organizado pelo pessoal da saudosa revista em quadrinhos baiana “Pau de Sêbo”. Quando soube não contei dois tempos, chamei um colega que também curtia quadrinhos e me mandei escondido para o evento. Aquele foi um acontecimento mágico e inesquecível para mim, na oportunidade tive o prazer de conhecer nomes como Paulo Setúbal, Lage, Caó Cruz e o mestre Antonio Cedraz (grande ídolo e amigo). Inspirado por essa turma e motivado pelo sucesso do IQI (hoje QI) do Professor Edgard Guimarães, em 1995 publiquei o meu primeiro fanzine. Foi através dessa publicação que dei o pontapé inicial como roteirista de quadrinhos.

Como foi ganhar o Ângelo Agostini? Você já esperava? 

 Eu fiquei um tanto surpreso e contente pela premiação. Foi realmente muito gratificante ser homenageado por uma das mais tradicionais premiações do quadradinho nacional e ter o trabalho reconhecido após quinze anos de produção independente. Eu sempre sonhei com uma premiação desse tipo. Imaginei diversas vezes momentos como esse, durante esse período em que produzo quadrinhos. Essa premiação é sem sobra de dúvida um grande marco e um importante divisor de águas na minha trajetória como roteirista. Daqui pra frente o meu trabalho será mais respeitado e com certeza muito mais cobrado.Disso eu não tenho dúvida.

O trabalho que provavelmente deve ter lhe garantido o prêmio foi Lucas da Feira. Fale um pouco sobre esse trabalho. 

 Verdade. A idéia da criação do álbum surgiu há alguns anos, muito embora desde a infância possuísse grande fascínio pela figura do lendário escravo Lucas da Feira. Na verdade eu sempre tive uma relação bastante próxima à cultura popular da minha região e as coisas ligadas ao campo. Costumava ouvir dos mais velhos “causos” e histórias sobre todos esses mitos do sertão, sobretudo a seu respeito. Foram essas lembranças que me levaram a pesquisar e transportar ao universo dos quadrinhos sua polemica história. Comecei a parte de pesquisa no finalzinho da década de noventa, na oportunidade entrevistei o pesquisador Joaquim Gouveia Gama e li o romance biográfico “Lucas, o Demônio Negro”, de Sabino de Campos. Já na segunda etapa, toda ela realizada em parceria com Marcelo Lima (grande amigo e também parceiro na idealização do roteiro do álbum) teve inicio em 2008 e durou pouco mais de um ano. Durante esse período, consultamos cordéis, a dissertação de mestrado da professora Zélia de Jesus Lima e realizamos uma nova série de entrevistas com pesquisadores, historiadores e anciões da zona rural de Feira de Santana. Após a conclusão da parte de pesquisa e execução do roteiro escrevemos (Marcelo e eu) o projeto no edital Microprojetos Mais Cultura doSemiárido, que viabilizou a publicação obra.

Uma outra obra sua bastante conhecida é a Penitência. Como foi a gênese dessa personagem? 

A idéia da criação da personagem surgiu em meados da década de 90. Ela fez sua estréia a exatos quinze anos, na edição primeira do fanzine New Heros. Na época eu já havia criado vários outros personagens, mas nenhum deles havia emplacado da forma prevista, obviamente pelo fato de serem apenas meras cópias dos enlatados Norte-Americanos. Foi aí que tive a sacada de abordar o gênero Comic de uma forma diferente. Notei que os personagens misteriosos, sombrios e com poderes sobrenaturais despertavam certo fascínio no leitor, então decidi criar uma personagem que seguisse essas vertentes. A Penitência também surgiu como um reflexo da minha postura filosófica de vida. Sou adepto do deísmo, uma filosofia que admite a existência de um Deus criador, mas questiona as denominações religiosas e as chamadas revelações divinas.

Cite 10 quadrinhos que um roteirista deve ler. 

Certa feita um mestre do quadrinho nacional fez a seguinte declaração: “Um bom roteirista tem que ler de tudo, não pode se prender a uma única influência.” Eu concordo com ele em gênero número e grau.  Um bom roteirista tem que beber em várias fontes e assimilar o melhor de cada uma delas. Seguindo essa linha de pensamento o meu “top 10” de leitura obrigatória fica da seguinte forma: No Coração da Tempestade, de Will Eisner; Asterix,de Goscinny; Watchmen e O Monstro do Pântano, de Alan Moore; Sandman, de Neil Gaiman; Companheiros do Crepúsculo, de François Bourgeon; Batmam - O Cavaleiro das Trevas, de  Frank Miller e Klaus Janson; Maus - A História de um Sobrevivente, de Art Spiegelman; O Trio Diabólico e O Homem do Patuá, Elmano Silva (Mano) e por fim, Mortadelo e Salaminho do espanhol  Francisco Ibáñez.

Que livros você indicaria para um roteirista iniciante?
Independente de gênero ou temática a literatura é bastante importante para um roteirista iniciante, pois ela enriquece a sua compreensão do mundo e ajuda na criação de roteiros mais embasados e profundos. Sugiro que não se apegarem apenas a leitura de HQs, porque em certos momentos ficaram limitados. Minha dica de livros servirá em especifico ao quesito “técnica”. Eu indico “Roteiro – Os Fundamento do Roteirismo”, de  Syd Field, “Quadrinhos e Arte Seqüencial” do Will Eisner, “Desvendando os Quadrinhos”, de Scott McCloud e o seu O roteiro nas Histórias em Quadrinhos , publicado pela editora Marca da Fantasia.
 
Quais características um bom roteirista deve cultivar? 

 As caracteristicas basicas de um bom roteirista são a compulsão pela perfeição, visão crítica, percepção estética e  uma grande paixão pelo que faz. Um bom roteirista também deve ter uma boa dose de originalidade, poder de persuasão, raciocínio lógico, amplo repertório literário e bastante autocrítica. Para que se possa aprender e crescer em qualquer profissão é preciso ter capacidade de fazer autocrítica, debater e principalmente ter a humildade de tirar dúvidas quando necessário.

Como é o seu processo de criação? Como você estrutura o roteiro? Como é a sua relação com o desenhista? 

 Não tem muito mistério. Eu normalmente elaboro o roteiro a partir do argumento, transformando esta idéia em um texto estruturado com diálogos e cenas. Começo com a mentalização do enredo e depois passo as idéias para o papel (digo, PC) na forma de uma sinopse onde narro em ordem cronológica todo o enredo da HQ. Em seguida, faço a decupagem e desfragmento o texto definindo a quantidade de páginas e quadros por página. Por fim, realizo uma pesquisa sobre os temas abordados no roteiro e elaboro as legendas e diálogos. Já a minha relação com o desenhista é bastante é tranquila e sem neuras, costumo dar liberdade para “ele” interagir com o roteiro, alterar planos, enquadramentos e até mesmo cenas por completo. 

sábado, 12 de março de 2011

Capa do livro Spectra

A editora Literata já divulgou a capa da antologia Spectra, com histórias sobre fantasmas. Eu participo com o conto Lembranças de sangue. A edição deve  sair em abril

domingo, 6 de março de 2011

Entrevista com Wilde Portella

Wilde Portella é um verdadeiro mestre num gênero de roteiro pouco praticado pelos brasileiros: o faroeste. O gibi do Chet, criado em parceria com o irmão Watson Portella foi um grande sucesso no final da década de 1970 e início dos anos 1980, pela editora Vecchi. E o personagem está de volta para conhecer o Blog do Chet, clique aqui).
Wilde aceitou responder algumas perguntas sobre sua experiência como roteirista.


Como você começou a se interessar por quadrinhos? O que lia quando era criança?
Comecei a me interessar por histórias em quadrinhos justamente quando criança e lia as revistas do Pato Donald, O Guri, O Pequeno Xerife e Texas Kid (O Tex Willer), e muito depois Zorro, Jerônimo, O Herói do Sertão, etc.
Quais foram os roteiristas que o influenciaram?
Acredito eu nenhum roteirista me influenciou. Porém, a partir do momento em que comprei o número um de Epopéia Tri, tive uma visão diferente das histórias em quadrinhos que abordam o tema do faroeste. Depois passei a ler Tex e acredito que tive alguma influência com a fórmula do G.L. Bonelli escrever seus roteiros. Os italianos sempre foram melhores em lidar com o Velho Oeste seja no cinema ou nos quadrinhos.

Como você começou a escrever quadrinhos? Qual foi o seu primeiro trabalho profissional?
Meu primeiro trabalho profissional foi uma revista que tinha o título de O Águia, escrita por mim e desenhada por Watson Portella. Foi feita para uma editora lá de Alagoas, em Arapiraca. Foi um fracasso total, pois foi feito BA base do velho clichê que a nova geração nem conhece, e fotolito para fotografar as páginas. Nem eu nem meu irmão ficamos com uma revista para mostrar para a posteridade. A personagem era um herói mascarado e com capa que lutava contra os nazistas. Quer dizer, um tema batido e já abordado por diversas vezes nas revistas Capitão América e Os Falcões. Assim escrevi meu primeiro roteiro. Mas quando criança, com 11 e 12 anos eu e Watson já produzíamos nossas “revistas” (desenhos e histórias) em velhos cadernos escolares ou em material que nosso pai trazia da Prefeitura onde era Auditor.
O personagem pelo qual você é mais lembrado é o cowboy Chet, talvez o único faroeste nacional que fez grande sucesso. como foi o processo de criação desse personagem?
Caramba! Já respondi essa pergunta umas quinhentas vezes. Chet foi feito por encomenda do Lotário Vecchi na época em que o Otacílio D’Assunção Barros era editor da Vecchi. Então houve todo aquele processo. Começamos com seis capítulos como complemento da revista Ken Parker. Como a aceitação foi boa logo ganhou revista própria e chegou a ser a segunda HQ mais vendida da editora. Só perdendo, claro, para o Tex do Bonelli.

Além de Chet, que outros trabalhos você  destacaria?
Destacaria diversos trabalhos que fiz para o jornal Diario de Pernambuco, Grafipar, Portugal e EBAL. Mas o material que sinto mais orgulho é O Caçador de Esmeraldas que fizemos para a Editora Brasil América. Nós mudamos a fórmula de fazer álbuns paradidáticos. Usamos uma linguagem cinematográfica e funcionou.

Como é a sua relação com o desenhista? Como você escreve o roteiro? Faz full script, marvel way ou rafeia?
Seguinte: Eu escrevo um roteiro meio cinematográfico, com legendas e balões e indicando como fica a cena. Então o desenhista acompanha esse meu raciocínio e atualmente faço questão de ver como ficou a página no lápis. Se ficou bom,ok, caso contrário oriento o desenhista que também pode ficar à vontade para colocar uma cena melhor que a sugerida por mim.
Já teve problemas com desenhistas?
Não, nunca tive problemas com desenhistas. Na época da Vecchi quem cuidava dos desenhistas era o OTA. Eu só mandava a história com 100 páginas e ele se virava. Para que o projeto desse certo chegamos a preparar três revistas com antecedência. E atualmente trabalho com amigos e jovens desenhistas que, por incrível que pareça são fãs do Chet.
Que conselhos você dá a um roteirista iniciante?
Conselho nenhum. A arte de escrever um roteiro tem que estar dentro da pessoa. O que poderia dizer é que sempre caprichem nas histórias. Uma boa história faz com que o desenho ganhe vida. Não adianta um ótimo desenho com uma história ruim. E se o roteirista souber rafear, melhor ainda. Eu sei, mas prefiro escrever.
Eu sempre digo que um dos defeitos do pessoal que quer ser roteiristas é ler só quadrinhos, Que livros você indicaria como leitura obrigatória para um roteirista?
Há livros que podem ajudar o roteirista sim, como por exemplo, numa história longa é necessário ter tramas paralelos. Numa história curta o foco principal pode ser as personagens centrais. O roteirista não deve se guiar apenas em histórias em quadrinhos. Um livro que acho interessante são aqueles que utilizam uma linguagem coloquial o que acontece geralmente num bom romance. Já uma novela escrita para livro não ajuda muito. Os livros Cem Anos de Solidão (Gabriel Garcia Marques), Isabel de Minha Alma (Isabel Allende) e segue por aí. O candidato a roteirista deve le, no entanto, o autor que ele achar melhor. Quando a mim, leio de tudo, biografias, ensaios, romances, vovelas e contos.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Roteiro Baghavad

Baghavad
Roteiro de Gian Danton
Página 1
Q1 - Os quatro narradores sentados à mesa. O narrador desta história será o único que até o momento não teve história. Vamos chamá-lo de Roger.
Roger: Eu também tenho uma história. Vocês sabem que já trabalhei para a Companhia no setor de mineração. Não, eu não era um mineiro. Nós éramos encarregados da limpeza dos países que estava sendo explorados.
Q2 – Close em Roger.
Roger: Essa limpeza muitas vezes significa a extinção de espécies indesejadas. Os Zhorts eram um exemplo disso.
Q3 – Um grupo de homens equipados com uma espécie de bomba de veneno e um esguicho de desinfetante, jogando o desinfetante sobre uma espécie de monstro parecido com uma bactéria ou uma ameba.
Texto: Eram seres monstruosos que habitavam um planeta sem nome catalogado apenas como Y-17.
Q4 – Variação da cena anterior.
Texto: Alguns ativistas chegaram a fazer protestos contra  a desinfecção dos monstros. Mas para a opinião pública, eles eram apenas pragas. Eram como vírus, que deviam ser desinfetados.

Página 2
Q1 – Close de Roger.
Roger: Uma medida sanitária. Era o que eu achava. Ate aquele dia.
Página 2
Q2 – Um grupo de exterminadores persegue dois ou três monstros.
Texto: Havíamos encontrado um pequeno grupo de zhorts e os seguimos até o grupo maior.
Q3 – Quadro grande, de impacto. Os soldados chegam a uma espécie de clareira. Há vários monstros em volta de um garoto vestido como mendigo. O garoto está sobre uma espécie de pedra, sentado em posição de Buda. Os monstros se inclinam respeitosamente na direção dele.
Texto: O que encontramos foi algo extraordinário.
Eles estavam em círculo, ao redor de um garoto humano.
Q4 – quadro de flash back. O garoto da cena anterior pedindo esmola numa cidade improvisada.
Texto: Eu conhecia aquele pivete.
Era uma das muitas crianças que vagavam pelas ruas do acampamento, pedindo comida ou dinheiro.
Q5 – close de Roger. Ele parece assustado, olhando para o garoto. Se não der para mostrar o garoto, mostre apenas a reação dele.
Texto: Era o mesmo garoto, mas havia algo de muito, muito estranho com ele. 

Para ler essa HQ completa, já desenhada, clique aqui

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Como aprendi a escrever quadrinhos com Roberto Carlos

Um verdadeiro roteirista de quadrinhos deve estar atento a tudo, pois nunca sabe de onde pode vir uma boa ideia, uma informação importante ou uma técnica interessante. Alan Moore, por exemplo, diz que aprendeu algumas das técnicas narrativas mais interessantes lendo Gabriel Garcia Marques. 
Na verdade, podemos aprender algo até ouvindo uma música do Roberto Carlos. A música conta a história de um homem que vai para o trabalho, mas, apaixonado, não consegue deixar de pensar na mulher, de modo que conta os segundos para o reencontro. 
O interessante é que a música uma estrutura chamada de narrativa paralela, em que acompanhamos dois personagens e suas ações ao mesmo tempo. É uma técnica usada, por exemplo, por Frank Miller, em Batam Ano 1 em que acompanhamos, em paralelo, Bruce Wayne e o Comissário Gordon e suas respectivas chegadas em Gothan City. 
Essa mesma técnica é usada por Stephen King no livro A incendiária: enquanto a menina e seu pai foge, acompanhamos, quase simultaneamente, os seus perseguidores. 
Reparem como a narrativa começa com o homem acordando, indo para o trabalho, e pula para o cotidiano da mulher, que acorda, busca por ele na cama e depois vai tomar banho. A letra continua acompanhando o casal durante o dia, até o reencontro, no final. Mais uma lição: as narrativas paralelas devem se encontrar em algum ponto da trama, normalmente no final.

Vale lembrar também que o texto nos quadrinhos tem características semelhantes à letra de uma música narrativa baseada na concição e objetividade. As elipses, características dos quadrinhos, aparecem também na música de Roberto Carlos. Observem, por exemplo, a sequência inicial: o relógio desperta e na sequência seguinte o homem já está pronto para sair. Na cena seguinte, ele já está no ônibus. Lembra, e muito, a cena de A queda de Matt Murdock em que O Demolidor está na pensão e pensa em sair para se vingar do Rei.
Coloco abaixo a letra da música, com a indicação das narrativas. 



Narrativa 1
E o relógio há pouco despertou
Da porta do quarto ainda na penumbra
Eu olho outra vez
Seu corpo adormecido e mal coberto
Quase não me deixa ir
Fecho os olhos, viro as costas
Num esforço eu tenho que sair
A mesma condução, a mesma hora
Os mesmos pensamentos chegam
Meu corpo está comigo mas meu pensamento
Ainda está com ela 
Narrativa 2
Agora eu imagino suas mãos
Buscando em vão minha presença
Em nossa cama
Eu gostaria de saber o que ela pensa
Narrativa 1 
Estou chegando para mais um dia
De trabalho que começa
Narrativa 2
Enquanto lá em casa ela desperta
Pra rotina do seu dia
Eu quase posso ver a água morna
A deslizar no corpo dela
Em gotas coloridas pela luz
Que vem do vidro da janela
Colocando seu perfume preferido
Diante do espelho aquilo tudo
Ela esconde num vestido
Depois de um café, o olhar distante
Ela se perde pensativa
Acende um cigarro
E olhando a fumaça pára e pensa em mim
Narrativa 1
O dia vai passando, a tarde vem
E pela noite eu espero
Vou contando as horas que me separam
De tudo aquilo que mais quero
Meu rosto se ilumina num sorriso
No momento de ir embora
Não posso controlar minha vontade
De sair correndo agora
O trânsito me faz perder a calma
E o pensamento continua
Narrativa 2 
Pensando em minha volta muitas vezes
Ela vem olhar a rua 
Encontro das narrativas
A porta se abre e de repente eu 
Me envolvo inteiro nos seus braços
E o nosso amor começa
E só termina quando nasce mais um dia
Um dia de rotina, um dia de rotina
O sol ainda não chegou
Num dia de rotina
O nosso amor começa e termina
Quando nasce mais um dia
Um dia de rotina
O sol ainda não chegou

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Baghavad


Gostaria de apresentar a vocês uma de minhas mais novas produções, a HQ Baghavad, com arte do espetacular Nemo. Coloco aqui apenas uma página, mas você pode conferir o restante da história clicando aqui. Essa história faz parte de uma sequência de quatro HQs sobre o tema humanidade. Além disso, todas têm como título uma obra de literatura, nesse caso, um dos livros mais importantes do hinduismo. A primeira HQ da série foi uma adaptação do livro Coração das Trevas, de Joseph Conrad (que deu origem ao filme Apocalipse Now). Você pode ler Coração das Trevas (com arte de Jean Okada) clicando aqui.

Pesquisar é preciso

De vez em quando aparece por aí um gênio dos quadrinhos. É o cara que escreveu a história perfeita, e que tem a fórmula para salvar o quadrinho nacional. Conheci muitos desses. Geralmente são uns idiotas muito divertidos, e muito diferentes entre si. Mas a maioria tem uma característica em comum: a total ausência de pesquisa.
Estudiosos do processo de criação dizem que o surgimento de uma nova ideia passa por um processo que começa com uma longa pesquisa sobre o assunto. Essa fase é geralmente chamada de preparação. É uma fase de trabalho duro, em que se procura ler e pesquisar tudo que existe sobre aquela situação. Se, por exemplo, vou escrever uma HQ policial, essa fase engloba a leitura de livros sobre investigação criminal, sobre psicologia, perícia, etc. Também inclui o contato com quadrinhos, livros e filmes sobre o assunto. Com quanto mais material você tem contato, maior a chance de produzir algo criativo. Também é maior a chance de descobrir como o gênero funciona, quais são as suas regras, um conhecimento relevante até mesmo se você quiser quebrar essas regras.
A fase seguinte é a incubação e iluminação. Depois de pensar e pesquisar muito sobre o assunto, a ideia surge, geralmente num momento de descontração. É que toda nova ideia surge do incosciente, que trabalha justamente nesses momentos em que não se está pensando no problema. Mas, da mesma forma que o iconsciente pode lhe dar uma ideia sensacional e original, ela pode lhe dar um plágio ou uma ideia jerico. Para evitar isso, é necessário o último passo: a crítica.
A pesquisa é importantíssima em todas as fases. Sem ter material para trabalhar, o incosciente não cria nada. E, depois, na fase da crítica, se a pessoa não pesquisou bem, pode deixar passar um plágio involuntário, uma pegadinha do inconsciente, que puxou da memória algo que você não se lembra que viu.
Uma vez me apareceu um desses gênios dizendo que queria escrever um romance policial. Aconselhei-o a ler os clássicos do gênero: Conan Doyle, Dashiell Hamett, Raymond Chandler, etc. Ele me respondeu que não iria ler nada disso, pois não queria ser influenciado. Pretendia escrever algo totalmente original.
- Tudo bem, vá em frente! - eu disse.
Meses depois, ele me trouxe o roteiro, um calhamaço de quase 100 páginas. Era a história de um detetive particular pobretão que começava a investigar um caso quando uma mulher linda aparecia em seu escritório. Lá pelas tantas, alguém batiaem sua porta, e, quando ele abria, a pessoa caia em seus braços, esfaqueada.

Ou seja: o roteiro era o chavão dos chavões. Quase um plágio de algumas histórias noir, como as de Raymond Chandler e Dashiel Hammett. O garoto tinha assistido tantas imitações das histórias noir clássicas que seu incosciente se impregnou delas e, como não tinha bagagem cultural para tanto, não conseguiu identificar o plágio involuntário. Para ele, a história era perfeitamente original.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Bonnie e Clyde

Bonnie e Clyde, filme de 1967, produzido e idealizado por Warren Beatty e dirigido por Arthur Penn, abriu caminho para a Nova Hollywood, a geração de cineastas que revolucionou o cinema norte-americano com obras como Sem Destino e O poderoso Chefão. O tema básico dessa geração já estava lá: o conflito de gerações, que aparece com maior destaque no final. Para quem não sabe, os dois eram assaltantes de bancos que ficaram famosos na década de 1930. Nessa época de depressão, muitas pessoas estavam perdendo suas propriedades para os bancos (fato muito bem mostrado no filme Vinha da Ira) e a população logo se identificou com a dupla, muitas vezes protegendo-os. Para a geração do final dos anos 60, a identificação foi imediata: eles eram como o casal, em busca de aventura e novidades, e a polícia representava a geração anterior, conservadora.
Dizem que Warren Beatty se jogou aos pés do presidente da Warner (que já estava praticamente falindo na época) para fazer esse filme. Ao invés de receber um cachê normal de astro, ficou com 40% da bilheteria, o que o tornou milionário quando o filme (indo contra todas as expectativas do estúdio) se tornou um sucesso de bilheteria. 
Um dos aspectos curiosos do filme foram as adaptações feitas no roteiro. Na história original, Clyde era bissexual, e só conseguia se excitar com a presença do terceiro membro da gangue, C.W. Moss. Os executivos proibiram essa parte do roteiro e a solução foi sugerir que o personagem tinha problemas de ereção, o que, de certa forma aumentou a tensão entre o casal, deu um ar de humanidade ao personagem e colocou a relação entre Bonnie e Clyde num patamar mais complexo, já que ficamos o tempo todo os nos perguntando o que os mantém juntos (talvez o gosto pela aventura). 
Uma figura central no sucesso do filme foi o roteirista Robert Towne. Towne era extremamente inseguro quando estava escrevendo um roteiro próprio, mas era o melhor para consertar roteiros de outros. Uma das maiores contribuições dele foi atencipar uma cena que acontecia após a visita de Bonnie à mãe. A gangue rouba um carro e, no final, acaba dando carona aos donos do carro. O grupo está se divertindo quando Clyde pergunta ao homem qual a sua profissão. Agente funerário, diz ele. Bonnie ordena: "Tirem esse cara daqui". A cena, antecipada, marca o final do segundo ato e o início do terceiro ato. Dali em diante sabemos que o fim do casal está próximo e que eles serão mortos. 
Uma curiosidade sobre o filme é que o seu sucesso entre a nova geração foi tão grande que a boina usada por Bonnie se tornou moda entre as garotas do final dos anos 60.

sábado, 27 de novembro de 2010

E-book sobre O Gabinete do Dr. Caligari

Clique aqui para baixar o livro virtual Caligari: do cinema aos quadrinhos. O e-book analisa o filme expressionista O Gabinete do Dr. Caligari e o processo de adaptação para os quadrinhos.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Novo livro sobre roteiro de histórias em quadrinhos

Para comprar, clique aqui.

Curso de jornalismo da UNIFAP terá disciplina História em quadrinhos

O curso de jornalismo da Universidade Federal do Amapá – Unifap – terá uma disciplina pouco comum nos cursos de graduação: história em quadrinhos. A disciplina é optativa e será oferecida a partir do quinto semestre.
Entre outros assuntos, serão discutidos a linguagem das HQs, o mercado de quadrinhos e a relação com o jornalismo em obras como Maus, de Art Spielgman e Palestina, de Joe Sacco.
O coordenador do curso, Aldenor Benjamim lembra outro aspecto importante a ser discutido, a questão ideológica: “Os quadrinhos dentro do processo de comunicação de massa têm-se articulado como um serviço de divulgação da ideologia para manter o status quo da indústria cultural e dos bens simbólicos, sobretudo. Extrapolando sua função primeira e sendo aplicado nos campos políticos, propaganda comercial, na comunicação popular revela-se, todavia, rico na sua relação com os seus interlocutores”.
A ideia da inclusão da disciplina surgiu do professor Ivan Carlo, conhecido nos meios quadrinísticos como Gian Danton. “Há muito tempo os quadrinhos já estão nos cursos de comunicação, principalmente através de trabalhos de conclusão de curso que relacionam essa linguagem com o jornalismo, mas são poucas as instituições que colocam esse assunto na matriz. A inclusão da disciplina História em quadrinhos permite ampliar inclusive a discussão sobre o campo da comunicação”, diz.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A verossimilhança e a caracterização visual


Eu já expliquei aqui que história em quadrinhos de ficção não é documentário. Ou seja: uma HQ não precisa ser realista, ela apenas precisa convencer o leitor de sua realidade. Isso passa muito pela caracterização visual dos personagens. Por exemplo, os cientistas não costumam ser carecas, os malvados não costumam ser feios. Mas um bom desenhista recorre a essa generalização para que o leitor identifique, logo de cara, a função ou a personalidade dos personagens.



Basta olhar para Ming e Flash Gordon e perceber quem é o vilão e quem é o herói.
Marcos Rey, um dos grandes roteiristas brasileiros de cinema e TV lembra a figura de Sherlock Holmes, cuja caracterização, com cachimbo, lente de aumento e sobretudo xadrez, o identifica imediatamente.


Claro que hoje as HQs hoje não trabalham tanto com clichês, mas mesmo assim, desenhistas e roteiristas utilizam objetos, roupas e até expressões ou gestos para caracterizar os personagens, já que os quadrinhos são uma mídia visual.
Nos primeiros capítulos da webcomics Exploradores do Desconhecido tínhamos um personagem que aparecia em poucos quadrinhos. Ele era um político avesso à tecnologia, que é contrário à Operação Salto Quântico e que acaba sendo convencido pelo Capitão a apoiar o projeto. No meu roteiro, coloquei que ele era alguém antiquado, temeroso de avanços tecnológicos. Na hora de ilustrar a sequência, o desenhsita Jean Okada decidiu colocá-lo de óculos. Toda a caracterização psicológica do personagem ficou explícita sem que precisassemos usar uma palavra. Bastava bater o olho e o leitor percebia que aquele político era contrário às inovações (até porque seu óculos era do tipo antigo).

Quando divulgava a série no Orkut, ainda no ano de 2008, encontrei um suposto crítico de quadrinhos que implicou com o político de óculos e com o fato dos Exploradores não usarem toquinha. De fato, nas missões na NASA os astronautas usam uma toquinha e, por conta disso, esse suposto crítico achava que também os Exploradores deveriam usar toquinha.

- Mas em Jornada nas Estrelas eles não usam toquinha. - argumentei.
- Jornada nas estrelas é uma m*... ! - respondeu ele. Em história de ficção científica, todo mundo tem que usar toquinha!
- Mas em Guerra nas Estrelas eles não usam toquinha. - retruquei.
- Jornada nas estrelas é uma m*... ! - respondeu ele. Em história de ficção científica, todo mundo tem que usar toquinha!
- Mas no filme Contato, baseado na obra do cientista Carl Sagan, eles não usam toquinha. - expliquei.
- Contato é uma m*... ! - respondeu ele. Em história de ficção científica, todo mundo tem que usar toquinha!
- Mas em Esquadrão Atari eles não usam toquinha. - lembrei.
- Esquadrão Atari é uma m*... ! - respondeu ele. Em história de ficção científica, todo mundo tem que usar toquinha!

Como o palavrão é o argumento dos que estão errados, ele saiu batendo o pezinho e prometendo que ia mostrar como se fazia:
- Vou escrever um livro em que os astronautas usam touquinha e que os políticos não usam óculos. Vai ser um sucesso porque todo mundo quer ler histórias com astronautas de toquinha!

Pois é... dizem até que ele escreveu tal livro com o astronauta de toquinha... quanto ao sucesso...
A grande lição é: história em quadrinho não é documentário. Embora os astronautas da NASA usem toquinhas durante as missões, a maioria das pessoas pensa neles sem a tal toquinha pela simples razão de que, normalmente, quando aparecem em público, estão sem toquinha.
Assim, para o leitor normal, um astronauta de toquinha é menos verossímil que um astronauta sem toquinha. E nos quadrinhos a verossilhança é mais importante do que o realismo.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Caligari: do cinema aos quadrinhos


Caligari: do cinema aos quadrinhosGian Danton
Série Veredas, 19
João Pessoa: Marca de Fantasia, 2010. 44p. Ebook em pdf.
978-85-7999-016-8
Arquivo grátis (solicite cópia ao editor).

Em 1920, na Alemanha, um filme alcançou o prestígio de ser um dos mais importantes da história mundial e, sem dúvida, o mais influente do cinema alemão. Trata-se de O Gabinete do Dr. Caligari , dirigido por Robert Wiene e escrito por Hans Janowitz e Carl Mayer. Sua influência foi tão grande que cunhou-se o neologismo caligarismopara se referir ao cinema expressionista alemão.
Alguns dos méritos desse filme foram a utilização de cenários pintados representando um clima sufocante de um estranho ambiente urbano e a história repleta de flash backs , com final surpreendente. Estes elementos inovadores para a época mostraram que o cinema poderia ir muito além de uma simples diversão popular, abrindo caminho para sua ascensão à sétima arte.
Em Caligari: do cinema aos quadrinhos , o roteirista Gian Danton (Ivan Carlo Andrade de Oliveira) analisa o filme desde a elaboração do roteiro à sua influência para o cinema mundial e em especial para o cinema alemão. Aborda também questões polêmicas, como a moldura introduzida no roteiro por Fritz Lang, e os cenários pintados com a técnica expressionista, que permitiu à película mostrar uma realidade mental, absolutamente revolucionária para a época.
Em complemento ao estudo, Gian Danton apresenta a adaptação do filme para os quadrinhos, trabalho realizado em parceria com o desenhista curitibano José Aguiar. O processo criativo da adaptação também é analisado, o que transforma o livro numa peça didática, mas com a leveza de quem é um reconhecido e premiado roteirista de quadrinhos.
Caligari, do cinema os quadrinhos , é uma obra essencial tanto para os fãs de cinema quanto os de quadrinhos. 

Para pedir uma cópia, escreva para: editora@marcadefantasia.com 

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Death Ship

Abaixo um dos melhores episódios de Além da Imaginação que já assisti. Escrito por Richard Matheson (de Eu sou a lenda), a história alterna entre a ficção científica e a fantasia com um resultado perturbador. É impressionante como, usando apenas os diálogos, o roteirista consegue criar um estado de tensão permanente. Uma aula de roteiro.











quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Making of do Astronauta

Há algum tempo o amigo JJ Marreiro me mandou algumas imagens para que usasse em uma postagem sobre os bastidores da criação de nossa história do Astronauta para o álbum MSP+50. Na correria da Bienal, acabei não fazendo o post, mas corrijo esse lapso agora.
Ao começarmos a discutir nossa história, concluimos que o ideal seria algo que remetesse aos clássicos da FC, tanto nos quadrinhos quanto na literatura pop, quanto nos seriados. Assim, nosso Astronauta deveria ser uma mistura de Perry  Rhodan, Jornada nas Estrelas e Flash Gordon. Abaixo, alguns dos estudos do JJ para o visual da hístória:



O JJ começou pelas armas. Embora o visual estivesse legal, eu pedi que ele não usasse uma arma, pois ela não se encaixaria no personagem criado pelo Maurício.
O visual da nave passou por várias versões, mas acabou sendo definido como uma homenagem às naves da série alemã Perry Rhodan, do qual sou fã.

Foram feitas três versões do roteiro (chamadas de tratamento). Numa das primeiras versões, o herói chegava a um planeta que mostrava uma versão alienígena dos principais personagens da Turma da Mônica. As tiras abaixo são dessa primeira versão.

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails