sábado, 23 de janeiro de 2010

Cavaleiro das trevas 2 : A obra prima que (quase) ninguém quis entender.

Jefferson Nunes

E um fato comprovado: A grande maioria dos fãs de quadrinhos são fundamentalistas.
A afirmação acima pode parecer chocante mas reflete a realidade. Quando um dos maiores iconoclastas dos quadrinhos Frank Miller decidiu tirar sarro da industria que o fez famoso e rico ,os fanboys (apelido dado aos fãs radicais de quadrinhos) não gostaram nem um pouco e não quiseram entender todo o sarcasmo contido nas paginas de Cavaleiro das Trevas 2.
Durante 15 anos, desde o lançamento de o cavaleiro das trevas, que a DC Comics e os milhões de fãs imploravam para que Miller fizesse uma continuação de sua obra prima. Finalmente em 2001 ele resolveu lançar a tão aguardada parte dois do Cavaleiro.
A estória se passa Três anos depois da morte aparente do Batman, em Cavaleiro das Trevas, os Estados Unidos são governados pelo presidente Rickard, que não passa de um fantoche digital do vilão Lex Luthor. E a America, antes a terra da liberdade, agora é um estado fascista.
Os antigos super-heróis estão fora da ativa e acompanham o desenrolar dos fatos de forma distante. Mas... até quando? A trupe liderada pela Catgirl e os batboys resgatam dos seus diferentes cativeiros duas lendas do passado: Átomo e Flash.
Esse ressurgimento de aventureiros mascarados desperta velhas rixas, obrigando o Super-Homem a se reunir com seus companheiros, Capitão Marvel e Mulher-Maravilha, o que resultará numa intervenção direta nos planos do único responsável possível: Batman.
O Super-Homem está sendo chantageado por Lex Luthor e Brainiac, que mantêm a cidade engarrafada de Kandor (o último resquício de Krypton) sob seu domínio, obrigando o maior herói de todos os tempos a obedecer às suas ordens.
Mas para chegar ao Homem-Morcego, o enfurecido Homem de Aço terá que passar antes por velhos aliados a Liga da Justiça: Flash, Átomo e Arqueiro Verde.

Miller aproveitou sua estória para atacar de forma direta a indústria das HQs brincando com todos os clichês possíveis dos comics americanos , diferente do clima pesado do original vemos super heróis coloridos pulando de um lado para o outro numa clara afronta ao estilo sombrio de comics que o mesmo Miller ajudou a criar. A influencia dos mangás, que sempre permeou sua obra, fica totalmente explicito no designer dos personagens, antecipando a invasão dos quadrinhos japoneses que chegaria ao ocidente nos próximos anos.
Miller exagera todos os maneirismos de heróis e vilões de forma proposital para mostrar quão ridícula tinha se tornado a industria de quadrinhos de super heróis. O que a maioria dos fãs não quis entender é que Frank Miller criou a estória para ser lida como se fosse uma versão da revista Mad , com seu nonsense frenético, dos ícones da DC comics e o cavaleiro das trevas 2 entrou pro seleto time de obras primas que só serão realmente entendidas com o passar dos anos e tem sua importância reavaliada por uma geração futura.
A maioria dos fanboys simplesmente não quis entender pois para eles quadrinhos não são uma forma de entretenimento mas uma religião e como toda boa religião tem seus Dogmas intocáveis.
Azar deles.

11 comentários:

anny-linhaozzy disse...

Poi é, fans frenéticos me fazem lembrar dos Beatles.
Eles nem podiam cantar...

Infelizmente, estas coisas acontecem, não é mesmo? O que é uma pena...

Joe de Lima disse...

Gian, dessa vez eu discordo totalmente.

Essa lenda de que Frank Miller faz histórias ruins como uma crítica ao mercado já tem sido usada há quase 10 anos para justificar bombas com O Cavaleiro das Trevas 2, All-Stars Batman & Robin e o filme do Spirit.

Pra mim, a verdade é que hoje o Frank vive do passado, quando ele era um gênio de verdade.

Gian Danton/Ivan Carlo disse...

Pois é, Joe, concordo com você. Isso de que o Miller está apenas satirizando o mercado é apenas uma desculpa para o fato de que ele está perdendo a mão. Mas este é um espaço democrático e achei interessante trazer o ponto de vista do Jefferson.

Diego Aguiar Vieira disse...

O grande barato é que o Miller ganhou um milhão de verdinhas por esta crítica.

marko damiani disse...

Dark Night 2 Sucks a lot!!!

Blog do Land.Nick disse...

A quase a totalidade das críticas que li sobre o "Cavaleiro das Trevas 2" eram negativas! A crítiva mais bondosa chamava a HQ de "caça níquel"
Quando comprei a Edição definitiva dessa HQ, finalmente foi minha vez de analisar! O primeiro impacto que vc sente, ao começar ler a história, é que aquilo é uma piada de mal gosto! Mas no decorrer da leitura vc vai sendo tomado pelo enredo, pelo desenho (propositada
mente caricato às vezes)e chega à conclusão: É uma HQ fantástica, uma obra genial, uma obra além do seu tempo!
Uma HQ infelizmente subestimada! Daqui a mais alguns anos será considerada uma obra prima, talvez melhor que o "Cavaleiro das Trevas 1"! Quem viver verá!

JJ Marreiro disse...

CAramba! Esse texto do Jefferson Nunes é Fantástico! Quase me convenceu a reler o DK2.

O Jefferson fez observações extremamente sensatas e me abriu o olho para uma nova perspectiva quanto a revista. Mas reconheço que mesmo concordando com a maioria dos pontos explorados pelo Jefferson o que me impede de encarar uma segunda leitura nesse momento é apenas um pequeno defeito que de vez em quando a gente tem que assumir: preconceito :)

Li uma vez e fiquei tão chocado com a ruindade da coisa...hehe...que aquilo me caousou um trauma. COnfesso que o desenho do Miller nessa edição agrediu meu senso estético. Reconheço ser um tanto fundamentalista, mas gosto de alguns artistas estilizados. E estilizado pra mim é aquele artista que mostra que sabe o que está fazendo: Simon Bisley, JAck Kirby, Daniel Torres, são estilizados que fazem sentido pra mim.

Uma coisa, no meio de toda polêmica gerada com o DK2 é certa: Não haverá um DK3. Essa edição matou as possibilidades de uma continuação. Acho que isso prova o sucesso do Miller em cuspir no prato que comeu. Ele fez algo tão marcante (pro bem ou pro mal) no DK2 que jamais será chamado para fazer um DK3.

Mais uma vez, tenho que parabenizar o Jefferson pelo belo texto e o Gian por dividí-lo aqui com a turma.

marcio disse...

Como leitor de quadrinhos há mais de 30 anos, tenho que discordar de toda e qualquer crítica positiva dessa obra (?) mal e porcamente feita, com desenhos toscos que crianças de 6 anos fariam melhor, um colorido horrivelmente mal aplicado e um roteiro pífio, desestimulante e ridículo. Caros senhores, se já leram Watchmen, V de vingança, Maus, The Spirit ou mesmo antigos Hqs do Miller como podem considerar essa AFRONTA aos quadrinhos uma obra-prima? Miller com o passar dos anos simplesmente se tornou um fantasma patético do grande artista que um dia foi. Tenho uma coleção de 50.000 hqs de diversos períodos, estilos, países, e DK2 se situa na escala mais baixa de minha coleção. Ao crítico que considera DK2 uma ¨obra-prima ¨: deixe a preguiça de lado e pare de endeusar o preguiçoso Miller...abraço.

Ted Rafael disse...

A "Afronta" é proposital, mesmo não tendo 50.000 hqs e 30 anos de estrada nas leituras percebe-se muito nitidamente as críticas desta obra prima.

Bruce Wayne. disse...

Para mim, HQs não são e nunca serão um vão entretenimento, se eu aproxima-se de algo, seria realmente de uma religião. Mas eu não odeio Miller por esse trabalho. Eu gosto do Miller mais ainda. Apesar dessa obra não ser tão boa quanto a antecessora, realisticamente eu vejo que o Frank Miller nessa fase ruim é ainda melhor que muitos roteiristas tidos como "muito bons" da atualidade como Dan Slott ou Geoff Jhons. Eu vejo a HQ mais como0 uma crítica sincera sobre como banalizariam os quadrinhos no futuro os vendo como algo "pop" que "todo mundo entende". Um exemplo explicito disso são as cosplayers que ele coloca de forma proposital. Tô tentando até agora comprar a edição definitiva da Panini pra poder reler ela.

Força e honra.

sacocheio disse...

Eu me lembro muito bem que a última edição daquela MERDA demorou vários meses pra sair.
O cara tem todo o direito de ser sarcástico, como ele faz brilhantemente em muitas obras. Mas o que ele fez com DK2 foi indesculpável. Um desrespeito ao leitor, à editora, à mulher dele que teve que colorir aqueles rabiscos preguiçosos e malfeitos; sem falar na amarração final da história, não existe palavra pra definir o quão RIDÍCULO foi tudo aquilo.
Não sei, sinceramente, que parte daquele lixo alguém achou bom. Não dá pra confundir preguiça e má-vontade com genialidade.

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